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Promessa de aliança na conferência do clima

O Globo, O País, p. 3
08 de Set de 2009

Promessa de aliança na conferência do clima

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse ontem que o seu país e o Brasil vão defender propostas conjuntas na conferência sobre mudanças climáticas de Copenhague, em dezembro. Depois de se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio da Alvorada, Sarkozy afirmou que é preciso definir eixos comuns de atuação na cúpula, que terá como principal desafio a redução do aquecimento global.

- Brasil e França terão uma posição comum em Copenhague. É isso que falta, quem exerça liderança.

Hoje falta um eixo na cúpula - disse o presidente francês.

Numa declaração conjunta, Lula e Sarkozy reforçam a necessidade de os dois governos trabalharem para que a cúpula de Copenhague avance. A partir de hoje, segundo eles, o grupo de trabalho Brasil-França sobre mudanças climáticas começará a se reunir para "aproximar ainda mais as posições dos dois países e fortalecer as respectivas capacidades de facilitar a conclusão de um acordo ambicioso".

A nota inclui uma declaração de apoio à pretensão brasileira de organizar outra cúpula sobre meio ambiente e desenvolvimento sustentável em 2012, duas décadas depois da Rio 92.

- Vamos trabalhar para expressar nossa posição. Não temos o direito de perder, de fracassar em Copenhague. O tempo trabalha contra nós - afirmou o francês.

Sarkozy disse que o Brasil é a grande nação amazônica e anunciou a intenção de cooperar na proteção da floresta, especialmente na fronteira de 700 quilômetros entre a Guiana Francesa e o Amapá. E afirmou que a cúpula deve estabelecer deveres do Brasil em relação à questão climática, mas também direitos. Sarkozy defendeu a remodelação dos organismos internacionais e a participação do Brasil no Conselho de Segurança da ONU, que classificou como "uma questão de justiça".

- Existe injustiça, e o imobilismo é a perpetuação das injustiças. As instituições das Nações Unidas devem ser reformadas, sob risco de perderem legitimidade. Não podemos dizer aos países emergentes que eles contam menos e devem pagar mais - disse, estendendo a crítica ao G-8. - Não podemos mais nos reunir no G-8 e convidar o Brasil para um café da manhã no terceiro dia.

Lula afirmou que França e Brasil estarão na mesma posição na reunião do G-20, em Pittsburgh, nos próximos dias 24 e 25. Segundo o presidente, os dois países vão insistir na proposta de que os financiamentos têm de se direcionar para ações produtivas, e não especulativas. Também vão defender mudanças nas regras dos empréstimos do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial.

Lula disse que o aperto fiscal exigido pelos órgãos impede países da África de fazerem investimentos simples, como a construção de estradas.

- Não cabe ao emprestador impor as condições em que vai ser aplicado o dinheiro. Isso tem que mudar. Vamos à reunião para cobrar que cada país faça sua parte e essa crise não resulte no sofrimento dos mais pobres, que não tiveram nada a ver com ela - disse Lula. (Bernardo Mello Franco e Luiza Damé)

O Globo, 08/09/2009, O País, p. 3

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