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Projetos incentivam a agricultura familiar em comunidades indígenas

Folha de Boa Vista
23 de mai de 2008

As 15 comunidades indígenas pertencentes ao Município de Boa Vista vivem hoje uma nova realidade no que diz respeito ao desenvolvimento sustentável e econômico das localidades. Tigre, Milho, Darôra, Lago Grande, Vista Alegre, Morcego, Campo Alegre, Ilha, Truaru, Serra da Moça, Bom Jesus, Truaru da Cabeceira, Mauixi, Vista Nova e Lago estão inseridas em projetos de promoção do resgate da cultura e costumes das comunidades de acordo com a etnia de cada e que viabilizam alternativas de geração e renda para as famílias.

Os projetos são desenvolvidos em parceria com a Gestão de Assuntos Indígenas da Secretaria Municipal de Meio Ambiente da Prefeitura de Boa Vista. Os técnicos se reúnem com os representantes das comunidades e de acordo com os costumes e cultura local definem o tipo de cultura que pode ser desenvolvida junto às famílias indígenas.

Um dos projetos desenvolvido nas comunidades é o Pati Á, que em língua macuxi quer dizer melancia. O projeto incentiva o plantio irrigado de melancia e cada comunidade recebe do município os insumos necessários, como sementes, adubos (calcário), defensivos contra pragas e óleo diesel. O plantio segue a técnica de irrigação por sulcos, que permite a chegada da água às covas por meio de canais principais e secundários.

Para que o fruto possa ser ofertado no mercado local o ano inteiro, o plantio é feito em escala entre as comunidades, ou seja, uma comunidade realiza o cultivo da melancia e outra só fará o plantio depois de alguns dias para que não haja coincidência na data de colheita e na haja uma oferta maior do produto que a demanda, evitando-se assim a comercialização a preços muito abaixo do mercado.

A colheita acontece em 60 dias, a contar da data do plantio. A média de covas cultivadas é de 2.500. Cada cova produz dois frutos próprios para a comercialização. A média de frutos disponibilizados no mercado por comunidade é de cinco mil frutos. A melancia é vendida pelo produtor ao preço médio de R$ 3, gerando a cada safra um pouco mais de R$ 10 mil por comunidade. Isso representa um lucro líquido em média de 7.500 reais.

De acordo com a secretária de Gestão Ambiental, Luciana Surita, a previsão para este ano é encerrar a safra 2007/2008 com a colheita de 20 toneladas de melancia e um lucro médio de R$ 12 mil. 90% da renda é dividida entre as famílias participantes do projeto e 10% é aplicada em benefícios para a comunidade.

Para auxiliar o escoamento da produção e garantir uma margem justa de lucro, a prefeitura também disponibiliza um caminhão para o transporte do produto e realiza pesquisa de mercado para estipular o valor da mercadoria.

Cultivo da pimenta auxilia no resgate cultural de comunidades

O cultivo da pimenta na comunidade de Vista Alegre é feito preferencialmente pelas mulheres. A intenção é que as mais velhas passem para as mais novas os conhecimentos sobre o plantio, promovendo o resgate cultural na comunidade e repassando os costumes para as novas gerações.

E são as mulheres também que estão integradas no projeto "Pimin", que quer dizer pimenta. Por meio do projeto é feito o resgate cultural do cultivo da pimenta, característico da comunidade, além de promover a geração de renda para as famílias. Os pés de pimenta para a produção da jiquitaia são cultivados com sistema de irrigação, para garantir produção durante o ano todo.

De acordo com o gestor de Assuntos Indígenas da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Eliander Pimentel, este ano o projeto vem passando por um processo de revitalização para ser fortalecido e a previsão é de ainda no início do segundo semestre do ano fazer o cultivo de 1.200 pés de pimenta olho de peixe, murupi e malagueta, utilizadas na fabricação da jiquitaia, a pimenta em pó, comercializada em mercados e feiras de Boa Vista. A previsão de colheita após o plantio é para o final do ano.

Para fazer a jiquitaia é necessário que as pimentas sejam postas para secar no mínimo uma semana no sol ou sejam colocadas durante duas horas no forno. Depois de seca, ela pode ser levada ao pilão ou moída no liquidificador, misturada com um pouco de sal.

A jiquitaia tem sido fabricada em grande escala desde maio de 2006, quando um curso sobre o manejo da pimenta foi oferecido pela Prefeitura de Boa Vista para as mulheres do local.

Criação de peixe pode chegar aos dois mil quilos de tambaqui

As comunidades indígenas da Ilha, Darôra, Campo Alegre, Lago Grande, Milho e Truaru da Cabeceira devem fazer no final de outubro a despesca de dois mil quilos de tambaqui, criados em gaiolas e em tanques por meio do projeto Tambaqui. As comunidades do Milho e Campo Alegre fazem a criação em gaiolas. As demais adotam a prática da criação em tanques. Em cada comunidade, o trabalho fica a cargo de no máximo três famílias.

Inicialmente das seis comunidades envolvidas no projeto, somente os produtores do Milho já possuíam experiência com piscicultura, por já participarem de um projeto implantado pela Embrapa. O objetivo do "Tambaqui" é criar alternativas sustentáveis que garantam a segurança alimentar dos indígenas de Boa Vista.

De acordo a Gestão de Assuntos Indígenas da Secretaria Municipal de Meio Ambiente da Prefeitura, cada comunidade recebe dois mil alevinos e ração para um ano. O prazo médio para que os alevinos atinjam o peso ideal para despesca é de 10 meses. Técnicos da SMGA fazem o acompanhamento e orientam os criadores.

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