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Projeto GATI realiza reunião apliada dos Conselhos Regionais dos Núcleos Nordeste I e II

Projeto Gestão Ambiental e Territorial Indígena - GATI - www.cggamgati.funai.gov.br
03 de jun de 2015

Entre os dias 26 a 28 de maio, aconteceu no auditório da Funasa em Recife-PE, a reunião ampliada dos Conselhos Regionais dos Núcleos Nordeste I e II, do Projeto GATI. Além de trocar experiências entre Terras Indígenas (TIs) que são Áreas de Referencia (ARs) do GATI, o evento também debateu e avaliou as principais ações do projeto nessas regiões. Instalados no início da implementação do projeto, os conselhos regionais, ligados aos oito Núcleos Regionais do GATI, são instâncias de avaliação e monitoramento das ações realizadas em âmbito local. São paritários e constituídos por representantes de governo e por indígenas das TIs que compõe as ARs. O evento foi uma realização do Projeto GATI, Fundação Nacional do Índio (Funai), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF). Contou ainda com apoio da Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme).

No primeiro dia, 26/05, o Coordenador Técnico do Projeto GATI, Robert Miller, deu início à reunião, fazendo um balanço geral do histórico e situação atual do projeto, seguido pelas apresentações dos consultores regionais, Isabel Modercin (Nordeste I) e Carlos Ferraz (Nordeste II). Entre as apresentações, os conselheiros fizeram suas avaliações e comentários sobre as ações realizadas. Conforme Wilson Jesus de Souza (servidor da Funai-CTL Pau Brasil e Pataxó Hã Hã Hãe da TI Caramuru-Paraguassu (BA), o diagnóstico sobre recuperação ambiental de rios e nascentes realizado na TI foi muito importante, pois trouxe a discussão sobre o meio ambiente para dentro das comunidades. "E mesmo que o projeto termine, esse tipo de ação vai continuar a ser trabalhada no curto, médio e longo prazo, junto com outros parceiros", afirmou. Para o cacique Marcelo Pankararu, da TI Entre Serras (PE), com o Projeto GATI, a comunidade despertou para fazer a defesa de uma área de caatinga, rica em caroá (uma bromélia cujas folhas são usadas nas vestimentas do ritual do toré). Marcelo afirmou que hoje, este é o único local de caatinga totalmente preservado no território Pankararu.

Na manhã do segundo dia (27/05), por meio de trabalho em grupos os participantes discutiram a proposta de sistematizar as informações referentes a cada Área de Referencia em forma de publicações. Os grupos debateram os objetivos, público-alvo e temas a serem abordados. De acordo com o coordenador da Apoinme, Paulo Tupiniquim, as publicações servirão para divulgar ações ambientais na própria comunidade, como material pedagógico para uso nas escolas, como também mostrarão para o público não indígena, a diversidade de conhecimentos dos povos em usar e manejar os recursos naturais para sua subsistência e geração de renda.

Na parte da tarde do dia 27/05, Maria Aureliano, Coordenadora Técnico Pedagógica do Centro de Desenvolvimento Agroecológico Sabiá, apresentou os resultados dos trabalhos de extensão agroflorestal e agroecológica realizados no âmbito de Carta de Acordo com o Projeto GATI (saiba mais). As ações foram focadas em três Áreas de Referência do projeto e tiveram como destaque a formação de jovens multiplicadores, por meio de três módulos itinerantes. Maria ressaltou a importância destes intercâmbios para que os jovens conhecessem outros povos, fazendo a troca de experiências e conhecimentos, contribuindo assim para o fortalecimento das suas identidades individuais e coletivas. Concluiu sua apresentação dizendo que para os povos indígenas do Nordeste, a agroecologia não pode ser separada da cultura.

No dia seguinte, os grupos discutiram planos de ação para as Áreas de Referência, considerando que o projeto estará encerrando a maioria das suas ações em campo até dezembro de 2015. Assim, o foco do planejamento foi nas atividades que contribuirão efetivamente para a gestão das terras, por meio dos pequenos projetos do edital PPP-GATI, realizado em conjunto com o Instituto Sociedade População e Natureza-ISPN (saiba mais), cujos proponentes são associações indígenas ou parceiros, e os microprojetos, que são iniciativas individuais.

Na parte da tarde foi feita uma discussão sobre a proposta da Apoinme de um centro de formação indígena. Foi observado que a formação abrange várias possibilidades ou focos, entre estas a formação política de lideranças, em agroecologia, em PNGATI e de agentes ou monitores ambientais/territoriais. Devido à complexidade do tema "formação", foi acordado a necessidade de realizar um segundo momento de discussão e debate, com a presença de instituições parceiras, no segundo semestre de 2015. No final do dia, a reunião encerrou com canto puxado por Toninho Guarani, representante da TI Tupiniquim Guarani/Caieiras Velhas II (ES).

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