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Projeto faz cartografia de vazios da Amazônia

OESP, Vida, p. A9
09 de Set de 2008

Projeto faz cartografia de vazios da Amazônia
Previsão é investir R$ 350 mi em 5 anos para conhecer 1,8 mi de km2

Giovana Girardi

Uma área três vezes maior que a do Estado de Minas Gerais, equivalente a 34% da Amazônia Legal, é o novo alvo do governo federal. E nem é por causa do desmatamento, mas porque nesses pontos, que somam 1,8 milhão de quilômetros quadrados, não são conhecidas nem sequer informações básicas para sua administração e proteção, como topografia, hidrografia ou geologia.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lança amanhã o Projeto Cartografia da Amazônia Legal, que visa a produzir, até 2012, mapas terrestres, geológicos e náuticos dos chamados "vazios cartográficos", áreas completamente desprovidas de cartografia espalhadas por Amazonas, Pará, Amapá, Mato Grosso e parte do Acre, do Maranhão e de Roraima. O governo pretende investir nos cinco anos R$ 350 milhões.
Estão previstos 2,2 mil sobrevôos; 5 navios vão ser mobilizados
Desde a década de 1970, quando foi implementando o projeto Radam, que não se busca esse tipo de informação na Amazônia. Na ocasião, foram cartografados quase 4 milhões de km2, mas os pontos de mais difícil acesso acabaram sendo deixados de lado, explica Marcelo de Carvalho Lopes, diretor-geral do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia, da Casa Civil.
Segundo ele, essas informações são importantes para orientar, por exemplo, o tão esperado ordenamento territorial, que vai definir as propriedades na Amazônia. Boa parte da região é literalmente terra de ninguém - o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) já admitiu em levantamento oficial que não sabe nas mãos de quem estão pelo menos 14% da área.
A expectativa é de que os dados possam servir de ferramenta para auxiliar na regularização dessa situação, orientar projetos de infra-estrutura e gerar informações estratégicas para a segurança nacional -já que boa parte dos vazios está em áreas de fronteira. Segundo Lopes, espera-se ainda que a investigação geológica aponte novas áreas com potencial para mineração. Estimativas da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, órgão ligado ao Ministério das Minas e Energia, são de que, diante dos novos dados, haja um investimento privado adicional de R$ 1,1 bilhão em prospecção mineral.
Para mapear toda a região estão previstos, além da pesquisa em terra, mais de 2.200 sobrevôos com equipamentos de sensoriamento e imageamento. Para a confecção da cartografia náutica, cinco navios, ainda em construção, devem ser usados.

OESP, 09/09/2008, Vida, p. A9

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