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Professor Tapirapé ganha prêmio Nota 10

Site da Funai
07 de out de 2003

O professor Josimar Xawapare'ymi Tapirapé, da Escola Estadual Indígena Tapi'itãwa, na Terra Indígena Urubu Branco, situada no município de Confresa, em Mato Grosso, é um dos 12 ganhadores do prêmio Professor Nota 10, promovido pela revista Nova Escola. A entrega do prêmio será amanhã (07), no Teatro Abril, em São Paulo. Cada professor vai receber R$ 7,5 mil e terá o trabalho publicado na revista Nova Escola. Josimar concorre ainda ao prêmio Professor do Ano, e, caso vença, receberá mais R$ 10 mil e uma bolsa de estudos em Londres, Inglaterra.

A iniciativa de criar, com a participação de seus alunos, 30 novas palavras da língua Tapirapé, rendeu ao professor a premiação e o reconhecimento da Secretaria de Educação Infantil e Fundamental (Seinf), do MEC. De acordo com a avaliação do coordenador da Seinf, Kleber Gesteira, a inovação do professor Tapirapé atende a um dos objetivos básicos da Educação Escolar Indígena que é o resgate e preservação dos valores culturais e étnicos dos povos indígenas. A experiência Tapirapé concorreu com 4.027 outros trabalhos de todo país.

Ao criar palavras novas em Tapirapé, Josimar, 32 anos, quis nominar no idioma de seu povo, palavras como bicicleta, boné, bola, lápis, trator e outras, que não existiam na língua, mas que passaram a fazer parte do cotidiano da comunidade. O trabalho durou dois meses e teve a participação dos alunos da 3ª fase do 1o ciclo do ensino fundamental, crianças na faixa de 09 anos. Foi desenvolvido principalmente na área da linguagem, envolvendo conteúdos da disciplina Língua Tapirapé: leitura e escrita; composição das palavras; significado; história das palavras que não são da língua tapirapé; criação de palavras; uso das palavras novas no falar e em textos. Outras áreas, como as disciplinas de Artes e Ciências Sociais, também abriram espaço para esse estudo. Nas Artes, os alunos ilustraram as palavras criadas e dramatizaram para mostrar a invasão das palavras da língua portuguesa; e nas Ciências Sociais, estudaram a importância do idioma materno para a identidade étnica e a situação dos índios que não sabem mais se expressar na sua língua.

O professor Josimar explicou que usou os recursos da significação ou pela forma do objeto. Para criar a palavra yãkopy, que é bicicleta, ele fez assim: yã - tirada da palavra yãra, que significa meio de transporte, e kopy, porque bicicleta tem dois pneus. Outros exemplos: lápis (paraxi), bola (kojapa'axiga), boné (xapewakwy), trator (tatoyãra). A cada palavra criada, os alunos começam a usar na escola e a difundir nas suas casas e na aldeia, onde foram bem recebidas, explica o professor. "Meu sonho era encontrar uma maneira de buscar a recuperação das palavras do nosso idioma para ensinar aos mais jovens, porque a língua materna é a força de nossa identidade cultural", diz o professor, ao definir os objetivos da experiência.

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