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PROFESSOR AFIRMA: Falta de demarcação atrapalha Estado

A Folha – Boa Vista - RR
22 de Mai de 2001

Segundo Haroldo Amoras, o Estado tem de 23 milhões de hectares ociosos, sendo que apenas 30 mil são explorados

A indefinição na demarcação das terras indígenas pelo Governo Federal é um dos fatores que impede o crescimento econômico do Estado. Este é o posicionamento do professor da Universidade Federal de Roraima (UFRR), Haroldo Amoras, que tem mestrado em desenvolvimento econômico regional.
Para haver investimentos produtivos, ele disse que o produtor deve ter a garantia na regulamentação da propriedade privada. Caso contrário, não existe investimentos por causa de possíveis problemas com a expansão de reservas indígenas. "Com isso, os bancos evitam fazer financiamentos porque boa parte do Estado pode ser transformada em território indígena a qualquer momento".
"Se os bancos não entram fazendo financiamento, como é que se consegue capital para dinamizar os investimentos?", questionou o professor, ao frisar que o problema com demarcação é uma questão política, na qual as áreas devem ser delimitadas para que o produtor saiba qual o espaço em que pode investir.
Segundo Amoras, a não-demarcação se reflete na baixa produção. Ele afirmou que o Estado tem uma grande parcela de área ociosa, totalizando mais de 23 milhões de hectares, sendo que apenas 30 mil são explorados. Outro empecilho citado por ele é a falta de qualificação profissional.
"Muita gente pensa que a migração não é bom para o desenvolvimento do Estado, o que não é verdade se houver formação de recursos humanos, massa crítica, enfim, gente pensando". Já o asfaltamento da BR-174, apesar de também ser uma condição para promover o desenvolvimento, não é o suficiente, segundo ele.
"A estrada é um dos fatores necessários, mas não único. O Estado precisa de mão-de-obra qualificada, tecnologia, capital e base institucional", disse Amoras. Ele afirmou que com investimentos agrícolas e qualificação profissional o Estado se desenvolverá consideravelmente.
Para isso, é preciso deixar de se imaginar que o crescimento da economia possa acontecer através de incentivos fiscais, tentando canalizar investimentos com indústrias para Roraima. "Não podemos competir nesse aspecto com a Zona Franca de Manaus (AM). É preciso investir nos setores em que temos vantagem como a produção de arroz", analisou o professor.
Ele criticou a falta empenho do Estado para garantir a melhoria na produção das potencialidades como o arroz, que é competitivo em mercados externos como o do Amazonas. "O Estado não garante a melhoria dessa competitividade. Temos que investir em setores onde o Estado já tenha experiência na produção", reforçou.
Entre as idéias e sugestões para o crescimento da economia local, Amoras explicou que o desenvolvimento de Roraima não será afetado com extinção das autarquias - como a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) - porque os investimentos para o Estado eram praticamente nulos.

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