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Produtores rurais acumularão desconto nas suas contas de luz

OESP, Economia, p. B5
05 de Abr de 2019

Produtores rurais acumularão desconto nas suas contas de luz
Decreto que permite acúmulo de subsídio de energia por produtores rurais é publicado no DOU
Na prática, ato desfaz parte de decisão tomada por Michel Temer no fim de seu governo

Luci Ribeiro, O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro editou o Decreto 9.744/2019, que trata do fim de descontos na conta de energia concedidos a consumidores rurais do País. O texto volta a permitir que produtores rurais que trabalham com irrigação e aquicultura acumulem dois descontos até a extinção total dos subsídios. A edição do novo decreto, publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira, 4, foi antecipada pelo Estadão / Broadcast em março.

Dívida rural
O decreto de Bolsonaro reafirma a vedação da acumulação dos descontos, devendo prevalecer aquele que confira o maior benefício ao consumidor Foto: Eduardo Monteiro / Divulgação
Na prática, o ato desfaz parte de decisão tomada pelo então presidente Michel Temer no fim de seu governo, em dezembro. Por decreto, ele decidiu que descontos tarifários concedidos a unidades de consumo classificadas como rurais - que são bancados pela Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e acabam sendo custeados pelos consumidores não beneficiados - serão gradativamente eliminados, no prazo de cinco anos.

Com o decreto, Temer também impediu o acúmulo de subsídios por setores de irrigação e aquicultura na área rural, que tinham desconto assegurado por uma outra lei.

O decreto de Bolsonaro reafirma a vedação da acumulação dos descontos, devendo prevalecer aquele que confira o maior benefício ao consumidor, mas deixa de fora dessa proibição os consumidores rurais ligados à irrigação e aquicultura.

O texto que recompõe o benefício é fruto de acordo entre as pastas da Economia, Casa Civil, Minas e Energia, Desenvolvimento Regional e Agricultura. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Annel) também participou da negociação.

Conforme o Estadão / Broadcast apurou, há consenso de que o subsídio deve mesmo acabar, de forma escalonada, ao longo dos próximos cinco anos, como prevê o decreto anterior. Mas para diminuir a resistência do agronegócio à medida, o governo de Bolsonaro resolveu permitir o acúmulo de dois subsídios aos irrigantes e aquicultores. O desconto médio dos consumidores rurais era de R$ 47,88 em 2016. Irrigantes e aquicultores, em média, tinham um desconto bem maior, de R$ 642,64.

O decreto de Bolsonaro estabelece ainda que, na operacionalização dos descontos, os agentes de distribuição de energia elétrica observarão a regulação da Aneel, que também será a responsável pela fiscalização do tema, assim como terá de definir os procedimentos, os ajustes e as penalidades eventualmente aplicáveis.

OESP, 05/04/2019, Economia, p. B5

https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,decreto-que-permite-acum…

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