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Produtores querem compensação pela preservação do meio ambiente em MT

RD News - http://www.rdnews.com.br/
Autor: Carlos Palmeira
25 de Jul de 2017

Representantes do setor agropecuário retomaram o debate e voltaram a cobrar para que os produtores rurais sejam recompensados pelo alto nível de preservação do meio ambiente em Mato Grosso. A ideia é que a produção ganhe uma valoração maior e ainda que seja repensada a utilização do território protegido no Estado, que chega a ser avaliado em R$ 400 bilhões.

O argumento resurge após uma pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) que diz que Mato Grosso tem 64,7% de seu território conservado e deste montante, pecuaristas e agricultores são responsáveis pela proteção de 33,9%. O balanço foi divulgado na manhã dessa segunda (24) em Cuiabá.

O coordenador do Grupo de Inteligência Territorial Estratégica da Embrapa, Evaristo de Miranda, que apresentou o estudo sobre ocupação de solo, pontuou que essa discussão precisar ser realizada com o auxílio de ONG's que alegam defender o meio ambiente.

Ele afirma que a intenção é manter as áreas de preservação e faz o alerta que não está sendo demandado o direito de desmatar mais do que está previsto no Código Florestal. O pesquisador pontuou, porém, que é preciso imaginar um tipo de gestão para que esses espaços preservados tragam mais benefícios do que estão trazendo.

Evaristo ainda argumentou que já que os produtores preservam mais do que as áreas indígenas, seria possível repensar também o modelo de incentivo para a manutenção do meio ambiente. "A secretaria do Meio Ambiente, o ICMBio, a Funai nas aldeias, ele recebem orçamento todo o ano para cuidar de manter essas áreas. Precisaríamos calcular para ver quantos eles gastam para manter essas áreas que representam 19% (em Mato Grosso). Poxa, e os agricultores que estão preservando 33%? Eles precisariam receber o dobro para manter isso", defendeu.

Iniciativas

Algumas iniciativas governamentais já debateram a necessidade de recomposição financeira pela manutenção dos biomas brasileiros. Um desses programas é o marco regulatório da política nacional da Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação florestal (REDD+), que é debatido, em Mato Grosso, desde a gestão do ex-governador Blairo Maggi (PP), atual ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), Endrigo Dalcin, também falou sobre a importância dessa questão e revelou que encaminhamentos já foram tomados em relação a isso. "Nós precisamos conversar com os players mundiais sobre essa questão de conservação versus valores a pagar para o produtor. Isso vai ter que entrar um fórum de discussão único sobre esssas questões. Mas o fato é que já estamos trabalhando com algumas questões de compensação de carbono em áreas de cultivo de soja com uma ONG dos Estados Unidos, que está se propondo a fazer esse cálculo para nós sobre a captação dos créditos de carbono", argumentou.

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