VOLTAR

Produção de grãos em TIs: Xunakalo afirma que modelo não pode ser imposto entre povos indígenas

Olhar Direto - www.olhardireto.com.br
Autor: Da Redação
26 de Abr de 2026

A deputada estadual em exercício Eliane Xunakalo Bakairi (PT) afirmou que a produção agrícola em terras indígenas deve respeitar a decisão de cada povo e não pode seguir um modelo único. Ao comentar experiências como a dos indígenas Haliti-Paresi, que desenvolvem agricultura mecanizada em larga escala em Mato Grosso, a parlamentar destacou que não há consenso entre as comunidades e que a diversidade de escolhas precisa ser considerada.

"Cada povo tem o direito de escolher o que quer para si. O que não pode acontecer é usar um modelo único para impor aos outros. O desejo de um povo não pode subjugar outro", disse em entrevista ao PodOlhar. Os Haliti-Paresi são referência nacional na produção de grãos em terras indígenas, com cultivo de soja, milho e feijão em área que ultrapassa 17 mil hectares, principalmente na região de Campo Novo do Parecis. A atividade é organizada por cooperativas e voltada à geração de renda para as comunidades, utilizando parte do território. Eliane afirmou que experiências como essa devem ser respeitadas, mas não generalizadas. Segundo ela, há povos que optam por agricultura familiar, outros por produção de subsistência e uma parcela que adota a monocultura.

"O Parecis escolheu, tudo bem. Mas se outro povo não quer, isso também precisa ser respeitado. São culturas e visões diferentes", afirmou. A deputada criticou o que considera uma tentativa de padronização das atividades produtivas dentro das terras indígenas e disse que esse tipo de abordagem reforça preconceitos. "Tratam quem não segue esse modelo como se não fosse trabalhador, o que não é verdade", disse. Ela também destacou que a discussão envolve diferentes realidades entre os povos indígenas de Mato Grosso, que somam mais de 40 etnias, com línguas, culturas e formas de organização distintas. Eliane defendeu que o Estado apoie diferentes cadeias produtivas, de acordo com a escolha de cada comunidade. "É preciso investir também em outras atividades, como agricultura familiar, mel e turismo", afirmou. A parlamentar ressaltou ainda que as terras indígenas têm regime jurídico próprio, com direito de usufruto coletivo, o que exige tratamento diferenciado em relação a propriedades privadas. Segundo ela, o debate sobre produção em terras indígenas ainda está em construção e demanda ajustes legais e institucionais. "Não há consenso entre nós, e isso é normal. O importante é garantir respeito às decisões de cada povo", afirmou. Eliane também criticou propostas de exploração mineral em territórios indígenas e disse que esse tipo de atividade traz impactos negativos às comunidades. "Não conheço casos de mineração que tenham sido positivos para os povos indígenas", declarou. A deputada concluiu afirmando que a autonomia dos povos deve ser o ponto central da discussão. "Cada povo sabe o que é melhor para si", disse.

https://www.olhardireto.com.br/noticias/exibir.asp?id=575143&noticia=pr…

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.