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16 de Abr de 2014
O procurador federal Wilson Précoma, que esteve durante cinco anos à frente da Seção Indígena da Advocacia-Geral da União, no Estado de Roraima, entrou com uma ação judicial junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando a quebra do sigilo telefônico de autoridades ligadas ao Judiciário e à política, a fim de comprovar que a sua saída da seção indígena teria sido motivada por questões políticas.
O fechamento da seção indígena da AGU, que atendia aos direitos dos índios em Roraima, ocorreu em janeiro deste ano. O setor assistia os índios em questões latifundiárias, em relação à aposentadoria, educação, saúde e salário maternidade.
"Creio que minha saída foi motivada por uma série de fatores, entre eles, o fato de ter entrado com 25 ações judiciais sobre salário maternidade, inclusive com pedido de indenização moral às mães indígenas, contra o INSS, órgão federal. Outra questão foi o fato de eu ter tornado público, em mídia local, a existência da formação de grandes latifúndios em terras indígenas, controlados por organizações que dizem representar os índios. Mas estava apenas fazendo o trabalho que me foi designado, que era defender os direitos dos índios", destacou Précoma.
Mesmo desconfiando existir interesses políticos em sua saída, o procurador disse que continuou os trabalhos. Até que um dia, ao participar de um programa em uma rádio comunitária, localizada na Santa Cecília, no Município do Cantá, ele disse que se deparou com um parlamentar federal, que em conversa lhe informou que ele seria demitido. "Ele me mostrou uma mensagem via WhatsApp, que dizia que eu não iria apenas ser afastado, e sim demitido com o consentimento do ministro da Justiça. No momento, fiquei sem reação, foi então que entendi que minha saída foi por interesses políticos", relatou Wilson Précoma.
Após solicitar várias vezes, por intermédio da assessoria do parlamentar, cópia do documento em que trata do pedido da demissão e não ter obtido êxito, o procurador disse que solicitou judicialmente o documento em que pede que as mensagens do WhatsApp (aplicativo de celular) trocadas entre o parlamentar com outra autoridade, que citaria na conversa o ministro da Justiça, para que constem como prova nas ações que estão sendo movidas contra ele. "Em primeiro momento, o deputado se pôs à disposição para enviar o documento, mas depois sumiu. A ação já está peticionada em juízo. Quero apenas esclarecer que durante minha permanência frente à Seção Indígena da AGU agi dentro da lei", afirmou. (S.M.)
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