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Procurador desconfia de ações do setor privado

O Globo, Economia, p. 38
27 de Mai de 2007

Procurador desconfia de ações do setor privado
Para a maioria, interesse das empresas por questões ambientais é, na verdade, marketing

É generalizada a falta de simpatia que os integrantes do Ministério Público nutrem contra o setor privado nacional. Não é à toa que as empresas andam tendo pouca trégua dos procuradores. Muitas delas acabam mesmo encrencadas por ações na Justiça. Um total de 142 profissionais, entre subprocuradores-gerais, regionais, estaduais e municipais, respondeu ao questionário do Anuário Gestão Ambiental, e 85% deles acham insatisfatório o trabalho ambiental desenvolvido pelas empresas.

- Atitudes agressivas de integrantes do Ministério Público, muitas vezes, são a única postura possível diante da arrogância de certas companhias que, por estarem tocando uma obra fundamental para o desenvolvimento do seu negócio e do país, julgam-se no direito de desconhecer procedimentos essenciais à preservação do meio ambiente - comenta Silvana Quaglio, uma das coordenadores do Anuário, ao analisar o resultado da pesquisa.

Se dependesse dos procuradores, empresários e executivos já teriam ido para o banco dos réus em caso de crime ambiental. Apenas 16% deles não acham que o poluidor deveria responder criminalmente, ainda que tenha reparado o dano e firmado acordo. Já 79% dos procuradores defendem que o poluidor deveria sim responder criminalmente pelo dano causado ao meio ambiente.

Morosidade da Justiça é encarada como problema
É possível constatar também que os procuradores simplesmente não acreditam nas empresas: 80% deles consideram que a variável ambiental serve apenas para as empresas saírem bem na foto. É puro marketing. Outros 56% acreditam que o motivo é o efeito negativo que causaria no balanço, enquanto para 48%, elas fazem isso por consciência ambiental.

A autocrítica também está entre os comentários dos procuradores. Cerca de 68% deles acreditam que a morosidade da Justiça é o maior dos empecilhos à tramitação das ações judiciais de cunho ambiental.
(Liana Melo)

Bancos estão mais conscientes

O banco Itaú pagou cerca de R$ 1 milhão para trazer Al Gore ao Brasil. O autor de "Verdade Inconveniente", o projeto que nasceu como livro e virou filme premiado no Oscar, não é uma ação isolada. O Anuário Gestão Ambiental pesquisou o trabalho desenvolvido por 13 dos maiores bancos nacionais, entre eles o BNDES, e a constatação é que o setor financeiro incorporou o conceito da gestão ambiental com mais vigor do que as empresas.

Mais da metade dos bancos assinou os Princípios do Equador, uma série de normas socioambientais aplicadas a investimentos superiores a US$ 10 milhões.

Três deles vêm aplicando esses princípios em projetos de valores ainda menores, como é o caso do Itaú. Um dos bancos pesquisados impõe metas ambientais também para os fornecedores.

- O negócio menos importante no banco é dinheiro. Isso ele tem de sobra. O que não pode gastar, no entanto, é credibilidade, artigo difícil de estocar e altamente perecível - avalia Silvana Quaglio, coordenadora do Anuário Gestão Ambiental. - É para evitar que a imagem fique arranhada que os bancos vêm investindo no meio ambiente.

Oito dos 13 bancos pesquisados consideram o meio ambiente uma oportunidade para desenvolver novos produtos financeiros. O mesmo número de instituições tem projeto para reduzir o efeito estufa.

O Globo, 27/05/2007, Economia, p. 38

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