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Primo de índio morto em Sidrolândia é baleado em fazenda em MS; Força Nacional é acionada

UOL - http://noticias.uol.com.br/
Autor: Celso Bejarano
04 de Jun de 2013

O índio terena Joziel Alves, 34, levou um tiro nas costas nesta terça-feira (4) por volta das 18h (horário de Brasília), na fazenda São Sebastião, nos arredores da fazenda Buriti, em Sidrolândia (MS). Alves teria ficado ferido após ataques de um capataz da propriedade.

Alves é primo de Oziel Gabriel, 35, índio morto na quinta-feira passada durante operação das polícias Militar e Federal, que cumpriam mandado de reintegração de posse na região.

O dono da fazenda, Guilherme Corrêa, 63, negou que algum empregado seu esteja envolvido no ataque. Ele disse que os capatazes de sua fazenda deixaram a área quando souberam que os terenas se aproximavam e "queimavam tudo".

Joziel Alves foi levado primeiro para o hospital de Sidrolândia, depois transferido para a Santa Casa, hospital de Campo Grande, a 70 quilômetros.

Seu estado de saúde não foi divulgado. O projétil da arma alojou-se em sua coluna, por isso foi feita a transferência.

Depois do incidente, cerca de 200 índios atearam fogo em três fazendas, uma delas sendo a São Sebastião.

O Ministério da Justiça vai enviar 110 homens da Força Nacional para reforçar a segurança na zona do conflito. O pedido foi feito pelo governador André Puccinelli (PMDB) nesta terça-feira.

Eles começam a ser mobilizados, ainda esta noite, por via terrestre, de acordo com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Outra parte da tropa seguirá amanhã de avião. Além do envio da Força Nacional, Cardozo disse que o efetivo da Polícia Federal será ampliado no Estado em função do acirramento dos conflitos.

Em Mato Grosso do Sul, a Força Nacional de Segurança vai estar submetida ao comando da Polícia Militar e a da Secretaria de Segurança do Estado, segundo Cardozo. A situação não impedirá, por exemplo, que a tropa atue na desocupação da fazenda, caso a Justiça determine que a tarefa seja cumprida pelas forças policiais do Estado.

"A Secretaria de Segurança de Mato Grosso do Sul é que vai determinar o papel que terá a Força Nacional de Segurança. A partir daí o que fazemos é uma contribuição ao governo do estado, o comando é do estado", disse. De acordo com o ministro, a Força Nacional permanecerá no estado pelo "tempo que for necessário".

Na quinta-feira (6), o governo vai receber os indígenas em uma reunião no Ministério da Justiça a fim de tentar negociar um acordo para desocupação pacífica da área.

Apesar do acirramento dos ânimos, Cardozo espera que os conflitos sejam resolvidos sem uso da violência. "O governo espera o entendimento, faz um apelo a todas a partes envolvidas no conflito, na linha de que ninguém vai conseguir satisfazer direito acirrando conflitos, usando violência, não é essa a forma. Não é a violência a forma de resolver o conflito. Fazemos um apelo às lideranças de todos os envolvidos de que façam uma pactuação, não caiam na violência."

A disputa

A Terra Indígena Buriti é um território que, nos últimos 12 anos, vem passando por indas e vindas, ora com decisões favoráveis aos proprietários, ora aos indígenas.

Em 2001, a Funai aprovou a identificação da área como território indígena. Em 2004, a Justiça Federal declarou, em primeira instância, que as terras pertenciam aos produtores rurais.

Funai e Ministério Público Federal recorreram, e, dois anos depois, em 2006, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região declarou a área como de ocupação tradicional indígena.

Os proprietários da área entraram com recurso e, em junho de 2012, tiveram decisão favorável a eles, ou seja, que as terras pertencem aos produtores rurais, não aos índios.

Os índios, que invadiram a área no dia 15 de maio deste ano, disseram que ficariam na área até que o TRF-3 (Tribunal Regional Federal), em São Paulo, julgasse o recurso movido por eles. (Com Agência Brasil)

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