CB, Brasil, p. 7
12 de Mar de 2007
Pressão para paralisar a obra
Renata Mariz
Depois que o governo federal mostrou a clara intenção de realizar a transposição do Rio São Francisco, destinando R$ 6,6 bilhões ao projeto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), movimentos populares contrários à idéia se organizaram para protestar. Uma caravana de 600 pessoas, que virão em 14 ônibus, chegarão a Brasília hoje, no final da tarde. Por volta das 17h, os manifestantes, a maioria originária do Nordeste, irão armar as barracas do acampamento próximo à Torre de TV.
"Esse projeto só beneficia as empreiteiras e os produtores exportadores", acusa Rubens Siqueira, integrante da Comissão Pastoral da Terra (CPT) na Bahia e coordenador de trabalhos com as comunidades ribeirinhas do São Francisco. Segundo ele, estudos das organizações da sociedade civil que se dedicam ao problema já mostraram que apenas 3% das população do semi-árido será beneficiada com a transposição, uma das maiores obras da gestão petista.
A agenda dos manifestantes será cheia durante a semana de protesto. Estão marcadas, na quarta-feira, audiências com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e com ministros do Supremo Tribunal Federal sobre aspectos relacionados com o repasse de recursos orçamentários, a revitalização e com o licenciamento ambiental do projeto de transposição do São Francisco.
Haverá também, na subcomissão especial para acompanhamento de questões relacionadas com o São Francisco, criada na Câmara dos Deputados, uma audiência pública para debater a questão. A reunião está marcada para sexta-feira, às 10h, e contará com a presença do ministro da Integração Nacional, Pedro Brito do Nascimento; e do bispo da diocese de Barra (BA), Dom Luiz Cappio, entre outros interessados na questão.
Cappio, que há mais de um ano fez greve de fome em protesto contra a transposição do São Francisco, participará de um ato público, no acampamento próximo à Torre de TV, no sábado. Os manifestantes exibirão filmes sobre a situação do rio e arrecadarão doações para as vítimas das cheias do São Francisco. "Na tenda 'Alternativas' mostraremos 330 pequenas obras que resolvem o problema da falta de água no semi-árido", diz Siqueira, que coordena o movimento.
CB, 12/03/2007, Brasil, p. 7
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