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Pressao internacional

CB, Meio Ambiente, p.18
24 de Jul de 2004

Revista The Economist defende preservação da Amazônia e mostra como o estado do Mato Grosso cresceu graças à destruição da floresta
Pressão internacional
A revista inglesa The Economist publica em sua mais recente edição uma reportagem de capa que alerta sobre a necessidade de preservação da floresta amazônica. Em editorial, a publicação afirma que, se os países ricos querem ter alguma influência sobre o futuro da floresta, é preciso colocar dinheiro onde ele é necessário, ou seja, disponibilizando recursos que possibilitem a expansão econômica da região sem que isso signifique necessariamente a destruição da mata.
Esses caminhos, disse a revista, estão começando a emergir. A publicação observa que países tropicais não devem ser impedidos de colher os benefícios de algum desflorestamento. No ano passado, a agricultura foi um dos poucos pontos positivos da economia brasileira, que encolheu 0,2%.
"Os Estados Unidos e a Europa cortaram a maior parte de suas florestas ao longo dos últimos séculos, embora nas décadas recentes a América do Norte tenha promovido reflorestamento", disse a revista. "Quem são eles para dizer à Indonésia, Brasil e Congo para fazer de maneira diferente?", questiona. A Economist afirma que o mundo começou a reconhecer que precisa da Amazônia e outras florestas tropicais. "Chegou a hora de começar a pagar por elas", informou.
Rodovia
A publicação afirmou ainda que os investidores estão preocupados com a pressão ambientalista sobre o governador do Mato Grosso, Blairo Maggi (PPS). A Economist foca no impacto e importância da conclusão e asfaltamento da BR-163, cujos 1765 quilômetros deverão ligar Santarém a Cuiabá. Se a rodovia for inaugurada dentro de quatro anos, como planeja o governo, "lançará commodities na Europa e Asia, computadores e celulares de Manaus para São Paulo, além de terminar com o isolamento de centenas de milhares de pessoas morando ao longo de suas margens".
Em contrapartida, observa a revista, o asfaltamento da rodovia poderá causar grandes danos à floresta amazônica, espalhando o desmatamento, e gerando mais violência na região. A Economist afirma que a rodovia começa na capital do Mato Grosso, um estado que se auto-intitula "tigre da Amazônia", cujo PIB cresceu 8% no ano passado graças à explosão nas vendas da soja, carne e outras commodities.
Essas exportações, disse Blairo Maggi, são responsáveis em boa parte pelo superávit comercial do país. Mas a revista observa que Maggi é visto pelas entidades ambientais como um dos principais inimigos de um desenvolvimento da região aliado à preservação ambiental.
Maggi, destaca a revista, além de governador do Mato Grosso, é sócio-proprietário da maior empresa produtora de soja do mundo. "Muitos brasileiros acreditam que qualquer coisa que for boa para a soja é ruim para o Brasil", disse a revista. "Ela contribui para o desmatamento, em geral indiretamente, por meio da ocupação de pastos e empurrando os fazendeiros para dentro da floresta. Ela envenena rios com pesticidas. Além disso, as plantações de soja usam grandes extensões de terra, mas empregam poucas pessoas. "Durante o ano em que Maggi tomou posse, a taxa de desflorestamento mais do que dobrou", informou a revista.

CB, 24/07/2004, p. 18

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