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Presidente da Sabesp não descarta falta d'água em São Paulo

OESP, Metrópole, p. E6
08 de Nov de 2014

Presidente da Sabesp não descarta falta d'água em São Paulo
Em depoimento ao MP, Dilma Pena disse não ter como garantir se medidas são 'suficientes'; antes, Alckmin destacou obras

Bruno Ribeiro, José Maria Tomazela e Rafael Italiani

A presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Dilma Pena, disse ontem ao Ministério Público Estadual que não tem como afirmar que as medidas tomadas contra a seca "serão suficientes para garantir o abastecimento" de água.
A declaração ocorreu depois de o governador Geraldo Alckmin (PSDB) falar que não depende só das chuvas para evitar que a crise hídrica se estenda até 2015. "Não tenho como afirmar se as medidas (adotadas diante da seca) serão suficientes para evitar problemas no abastecimento de água, caso o regime de chuvas persista da maneira anômala atualmente vivida", disse Dilma Pena.
É a segunda vez que ela diz que a manutenção do regime de pouca chuva pode comprometer o abastecimento. A primeira foi diante da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal de São Paulo que também investiga a empresa, no mês passado. O governador desmentiu a informação no dia seguinte.
O depoimento de ontem foi dado para os promotores de Justiça Otávio Ferreira Garcia e Nelson Luís Sampaio de Andrade, que apuram as ações da Sabesp. Eles também indagaram sobre o vazamento de um áudio em que ela avalia ser "um erro" a estratégia de comunicação da empresa, decidida por "ordem superior".
Dilma não deu respostas sobre a gravação. No lugar disso, entregou um texto, também enviado ontem à Câmara Municipal. "Naquele momento, entendi o justo anseio de os funcionários estarem diretamente na mídia, mas tive oportunidade de relembrá-los de que a comunicação institucional da empresa obedece a diretriz superior constituída pela Diretoria Colegiada, sempre no sentido de preservar a unicidade da administração", disse.
Em nenhum momento, ela explica a avaliação sobre o "erro" a que ela se referia na gravação. "Hoje vejo patente o acerto da orientação, de vez que a estratégia de comunicação da empresa atingiu plenamente sua finalidade", afirma, para passar a tratar da economia de água feita pela população mediante o pagamento de bônus. Sobre a "ordem superior", disse que as decisões da Sabesp são tomadas pela diretoria colegiada da empresa.

Oposto. Já a declaração de Alckmin, informando o oposto do que Dilma Pena afirmou, foi feita em Boituva, no interior de São Paulo. "Estamos fazendo obras. Além de interligar os sistemas que abastecem a região metropolitana de São Paulo, vamos ter a água do Sistema São Lourenço, e vamos trazer de Juquitiba, a 80 quilômetros. Agora, estamos investindo no reúso, um trabalho importante que vai permitir o reaproveitamento da água usada."
De acordo com o governador, os reservatórios que abastecem a região metropolitana de São Paulo estão sendo interligados para evitar que falte água quando um dos sistemas ficar comprometido, como ocorreu com o Cantareira.
Mesmo reafirmando que a pior fase da crise hídrica já passou com a volta das chuvas no Estado de São Paulo, Alckmin alertou que, além dos investimentos em obras, ainda é preciso economizar água. "Foi a maior seca dos últimos 84 anos e atingiu principalmente a região nordeste do Estado, onde fica o Cantareira."

Estado do Rio quer Paraibuna como uma reserva estratégica
Pedido foi feito a órgãos federais no mesmo dia em que presidente da ANA julgou 'viável' a transposição do Paraíba

O Estado do Rio de Janeiro quer que a água da Represa Paraibuna, no interior de São Paulo, seja usada como reserva estratégica para abastecer a população das cidades da Região Metropolitana fluminense. O pedido foi feito para a Agência Nacional de Águas (ANA) pelo secretário estadual de Meio Ambiente do Rio, Carlos Francisco Portinho, que também quer saber se há volume morto para usar.
No dia 5, a pasta encaminhou ao órgão federal um ofício fazendo as solicitações. A Represa Paraibuna está na bacia do Rio Paraíba do Sul, que é federal, e também enfrenta uma estiagem severa. A represa que o Rio reivindica estava, ontem, de acordo com a ANA, em 4,48% do volume total.
O pedido faz parte de um plano de contingência do Estado vizinho que depende da água que também passa por São Paulo e é usada para gerar energia na usina de Paraibuna, controlada pela Companhia Energética de São Paulo (Cesp).
A água que o Rio quer corre ao longo do Rio Paraíba e chega ao Estado pela Represa Funil, em Itatiaia. O reservatório também gera energia em uma usina controlada pela Furnas. Por isso, além do pedido ter que ser avaliado pela ANA, o secretário Portinho também fez a solicitação para o Operador Nacional do Sistema. Procurada, a Secretaria de Estado de Saneamento e Recursos Hídricos de São Paulo afirmou que participa do grupo técnico que "está avaliando" a operação da Bacia do Paraíba do Sul.

Transposição. O pedido de Portinho foi feito na mesma data em que o presidente da ANA, Vicente Andre, disse em São Paulo que a transposição do Paraíba do Sul está próxima e é "tecnicamente viável". O governador Geraldo Alckmin quer transpor a água da Represa Jaguari, na bacia do Paraíba do Sul, para a reserva Atibainha, em Nazaré Paulista, para reforçar o Sistema Cantareira.

PCJ propõe usar água do mar para abastecer o Sistema Cantareira

Pegar a água do mar em Bertioga, tirar o sal dela em uma usina e bombear para o Cantareira. Em um resumo rápido, esse foi o projeto desenvolvido pelo Consórcio PCJ (que responde pelas Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí) para resolver o problema do desabastecimento na Região Metropolitana de São Paulo. A proposta foi divulgada ontem e o gasto estimado seria de R$ 6,1 bilhões.
O consórcio, que representa 43 prefeituras e 30 empresas, informou que sua equipe técnica estudou cinco alternativas para trazer a água do mar. A opção por lançar a água dessalinizada no sistema Jaguari-Jacareí permitiria manter de forma artificial em tempo integral o sistema com no mínimo 80% de sua capacidade de reserva.
O projeto já foi entregue à Sabesp que, por sua vez, divulgou nota para classificar a ideia como impraticável.

OESP, 08/11/2014, Metrópole, p. E6

http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,rio-de-janeiro-quer-a-ag…

http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,pcj-propoe-usar-agua-do-…

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