Radiobrás-Brasília-DF
17 de Abr de 2004
O presidente da Funai - Fundação Nacional do Índio, Mércio Pereira Gomes, esteve na noite desta sexta-feira (16) no acampamento montado em frente ao Congresso Nacional pelos índios da terra Raposa Serra do Sol, em Roraima. Ele garantiu ser " totalmente favorável à demarcação das terras." Afirmou, ainda, ter certeza de que a homologação das terras será assinada muito em breve pelo presidente da República.
Os representantes dos índios da terra Raposa Serra do Sol estão desde quinta-feira (15) em Brasília (DF). Não há previsão de data para retorno à tribo. Fazem parte da delegação 75 índios de 18 povos. Os líderes reivindicam a assinatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no decreto que homologa a demarcação dos 1,6 milhão de hectares da reserva. A região, onde vivem 15 mil índios, tem sido alvo freqüente de agricultores interessados em plantar arroz.
Política indigenista - Em encontro com representantes de índios da reserva Raposa Serra do Sol, na manhã deste sábado, na Esplanada dos Ministérios, o presidente da Funai, rebateu as críticas feitas na sexta-feira pelo presidente da CPT, Dom Tomás Balduíno. "Para muitos, parece que o Governo Lula tem vacilado. A minha opinião não é esta. Discordo dos inimigos e dos amigos dos índios que procuram os jornais para dizer isso", afirmou Gomes.
Ele disse que o presidente Lula "tem procurado agir de um modo cauteloso, como uma pessoa que está dando os primeiros passos para entrar em uma caminhada segura e sair na carreira, no embalo. Tudo que parece vacilação, para mim, é cautela."
Na tarde desta sexta, em visita ao acampamento montado pelos índios, em frente ao Congresso Nacional, Dom Tomás disse que o governo precisa demonstrar mais disposição para resolver as questões indígenas. "O governo federal está negociando o direito às terras indígenas sem conversar com os verdadeiros interessados", afirmou o presidente da CPT.
Para o presidente da Funai, os índios estão sendo bem representados pelo próprio órgão, que leva as reivindicações dos povos para o Congresso Nacional e para o Palácio do Planalto. De acordo com Mércio Pereira Gomes, houve uma reunião há uma semana para discutir a assinatura do decreto que homologa a demarcação do 1,6 milhão de hectares da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima.
Além do presidente Lula, nove ministros participaram do encontro, no qual foram debatidas questões que colocam muitos políticos e empresários contra as reservas indígenas. Entre elas, a necessidade de povoar as fronteiras e derrubar as ações judiciais contrárias à demarcação.
Na mesma reunião no Planalto, foram discutidas formas de assentar agricultores que moravam na reserva antes da demarcação ou até mesmo que invadiram a área nos últimos meses. A maior parte desses agricultores planta arroz. A risicultura hoje corresponde a 10% do Produto Interno Bruto do estado e está distribuída em 16 mil hectares de terras.
"Um pacote de medidas para resolver todas essas questões será apresentado ao presidente no dia 27 de abril, mas Lula já disse que sua simpatia é pela homologação em terra contínua", contou Gomes. Ele ressaltou a necessidade de não se fraquejar na luta pela demarcação. "Precisamos argumentar bastante. Mostrar que os índios são a vivificação das fronteiras. O ministério da Defesa pode ter pelotões do exército lá. Os arrozeiros, por sua vez, podem plantar em outros locais."
O representante do Conselho Indígena de Roraima, Júlio Macuxi, afirmou neste sábado (17) que o governo federal precisa partir para a ação, não ficando apenas na cautela diante da questão indígena. "Os invasores, fazendeiros e posseiros não têm cautela para matar e massacrar os índios", disse Júlio, logo após encontro entre representantes de 18 tribos da reserva Raposa Serra do Sol com o presidente da Funai
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