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Presidente da Funai desrespeitou o Estado, diz Mozarildo

Jornal Brasil Norte-Boa Vista-RR
Autor: Gallindo
10 de Fev de 2003

Senador considerou a postura de Eduardo Aguiar uma 'afronta' as autoridades locais e suas declarações 'desmoralização' ao Ministro da Justiça

Mozarildo Cavalcanti: "Vou comunicar formalmente ao presidente Lula e ao ministro da Justiça a forma desrespeitosa com que o presidente da Funai visitou Roraima"

O senador Mozarildo Cavalcanti, líder do PPS no Senado Federal, vai fazer queixas ao presidente Lula e ao Ministro da Justiça, Márcio Thomas Bastos, sobre a forma 'desrespeitosa' com que o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Eduardo Aguiar, tratou as autoridades estaduais durante recente visita, além de ter passado por cima de seus superiores em Brasília.
"Membro do 2o escalão do Governo Federal, ele (Eduardo Aguiar) chegou aqui para participar de um encontro com indígenas sem fazer nenhum comunicado aos poderes constituídos do Estado, além desconsiderar a existência da bancada de parlamentares federais. Me sinto desrespeitado por não terem dado satisfação, como se Roraima fosse uma terra de ninguém", frisou Mozarildo Cavalcanti.

Na opinião do senador, as declarações de Eduardo Aguiar dando conta que está batido o martelo para homologação da reserva Raposa/Serra do Sol em área contínua foi uma 'desmoralização' ao ministro da Justiça, que na semana retrasada se comprometeu com o governador Flamarion Portela (PSL) a compor um grupo de estudos para analisar as questões indígenas em Roraima.
"O ministro foi desmentido por seu subalterno depois de ter anunciado a criação de um grupo de trabalho para debater sobre demarcações de terras indígenas no Estado, não apenas a situação emergencial em Pacaraima. O objetivo deve ser rediscutir a questão como um todo. É isso que se está negociando com o governo Lula, que sempre pregou a bandeira do nacionalismo", disse o congressista.

Diálogo
De acordo com Mozarildo Cavalcanti, o diálogo em torno do assunto visa encontrar uma solução consensual, atendendo os índios comandados pelo CIR, os indígenas contrários às demarcações da forma colocada pelo presidente da Funai e os não-índios. "São todos cidadãos brasileiros e devem ter seus direitos respeitados. Não podemos, portanto, deixar a coisa correndo como está", salientou.
Para o senador, não dá mais para aceitar pacificamente essas agressões ao Estado. "Vamos tentar uma última cartada para resolver essa problemática na mesa de negociação", opinou, ressaltando que petistas esbarraram ações parlamentares nesse sentido. "Minha proposta de emenda à Constituição e meu Decreto Legislativo tiveram como obstáculo o PT. Devem assumir esses ônus e rever posicionamentos".

Unilateral
Mozarildo Cavalcanti lamenta que nem os próprios índios. Atualmente os indígenas, algo em torno 35 mil, representam cerca de 7% da população de Roraima. "Mais da metade é contra, por exemplo, a demarcação da Raposa/Serra do Sol em área única e estão sendo impedidos de manifestar sua vontade por pressões de entidades que defendem interesses internacionais, provocando aparthaid social", alertou.

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