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Preservação rende lucros na região amazônica

OESP, Especial, p. H8
06 de Dez de 2013

Preservação rende lucros na região amazônica
Grupo compra área de cria floresta privada com cotas de patrocínio no mercado para outras empresas dispostas a investir para ajudar a preservar o meio ambiente

Marina Gazzoni, do Estadão

Lucrar com a preservação da Amazônia. Essa é a proposta da Empresa Brasileira de Conservação de Florestas (EBCF), uma companhia formada por grupos empresariais do Paraná em sociedade com um ex-madeireiro do Amazonas, que lançou seu projeto no mercado neste ano. O modelo prevê a compra de florestas privadas para preservá-las e receber o retorno financeiro por meio de vendas de cotas de patrocínio a empresas, crédito de carbono e manejo sustentável de produtos amazônicos.

O negócio foi constituído após a criação de uma lei ambiental pelo governo do Amazonas, em 2010. Foi criada uma nova categoria de uso de solo, a Reserva Particular de Desenvolvimento Sustentável (RPDS), que responsabiliza o proprietário pela conservação da floresta, mas permite que ele desenvolva atividades na área - ecoturismo, uso de recursos florestais não madeireiros e pesquisa científica, por exemplo.
A EBCF conseguiu em junho deste ano o primeiro registro de RPDS para uma área de 200 milhões de metros quadrados de mata nativa no município de Manicoré, a 333 quilômetros de Manaus. De lá para cá, a tem tentado atrair as empresas para investir no projeto.
Produtos da Amazônia. Nesta semana, fechou parceria com a americana Paklab, especializada em desenvolver fórmulas para cosméticos e que tem gigantes como P&G, Unilever e L'Oréal como clientes.
Em uma primeira fase, que começa em 2014, a empresa fará o mapeamento dos princípios ativos dos produtos amazônicos, como tucumã e copaíba, e de como podem ser aplicados na indústria de cosméticos. Depois, a EBCF fornecerá os produtos para a Paklab. "Vamos processar em Manaus e enviar para a fábrica da Paklab na Califórnia", disse Leonardo Barrionuevo, presidente da EBCF. "O manejo sustentável de produtos não madeireiros será a nossa principal receita."
A meta da empresa é faturar R$ 10 milhões em 2014. Além da venda de produtos amazônicos, a companhia tenta viabilizar outras frentes de receita - como crédito de carbono e patrocínio ambiental. Na prática, quer disputar com ONGs as verbas das grandes companhias para projetos de sustentabilidade.
O lançamento oficial da empresa foi feito no fim de agosto, em um jantar no apartamento do casal de publicitários José Victor e Tatiana Oliva, com a presença de executivos da Ambev, Land Rover, Unilever, JHSF, entre outras. "As empresas querem associar sua marca à Amazônia. Em 2014, o mundo inteiro vai olhar para o Brasil. É uma boa oportunidade de marketing", disse Tatiana, que comanda a agência Cross, que negocia as parcerias da EBCF.
O projeto prevê customizar as campanhas para os clientes. A EBCF, por exemplo, pode oferecer a uma construtora a opção de dar ao cliente que comprar um apartamento, simbolicamente, um pedaço da Amazônica e dizer que ele ajudou a preservar esse espaço. "O cliente pode receber uma referência geográfica e consultar no Google onde está sua área", explica Tatiana. Até agora, nenhum contrato foi fechado.
Negócio. Apesar de ter como foco os negócios relacionados à Amazônia, a EBCF é controlada por grupos paranaenses. À frente da EBCF está a família Barrionuevo, dona do Instituto Paranaense de Otorrinolaringologia, de aterros sanitários e sócia do grupo J. Malucelli, dono de 70 empresas e com faturamento de R$ 1,35 bilhão em 2012, na sua divisão de gestão ambiental, a J.Malucelli Ambiental.
Se uniram a eles outros empresários paranaenses: os grupos Tucumann e Pattac, que também são sócios da Cataratas do Iguaçu SA, empresa que administra o parque nacional das Cataratas do Iguaçu (PR) e de Fernando de Noronha (PE).
O último acionista a entrar no grupo foi o fazendeiro amazonense Valdenor da Costa Junior, dono da propriedade que depois se tornou a primeira RPDS. Ele tinha um projeto aprovado para extrair madeira da floresta e foi ao Paraná para tentar vender madeira ao grupo J.Malucelli. Na conversa com os empresários paranaenses mudou de ideia e se tornou acionista da EBCF. Ele entrou no negócio dando a propriedade, avaliada em R$ 35 milhões, como aporte. "Não é que o projeto madeireiro seja ruim. Mas esse é melhor. É mais gratificante e pode ser mais lucrativo", disse Costa.

OESP, 06/12/2013, Especial, p. H8

http://economia.estadao.com.br/noticias/economia-geral,preservacao-rend…

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