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Presença de policiais militares é polêmica

O Povo-Fortaleza-CE
04 de mar de 2002

A presença de policiais militares com suas famílias na área indígena também é alvo de reclamações de alguns moradores da aldeia Pitaguary. Desde 1999, funciona nas terras pitaguarys o Comando da Cavalaria da Polícia Militar do Ceará. ''Cavalaria só no nome, é apenas uma forma de ocupar aqui'', diz Venâncio Ferreira, referindo-se às três famílias de policiais que ocupam o local. Ele denuncia que os militares, além de não garantirem a segurança dos moradores, são vistos em bebedeiras e confusões. Segundo Venâncio, são freqüentes os atritos entre os policiais e os índios.

Mas nem todos os moradores se incomodam com a presença das famílias dos militares. ''Não tem problema não, eles ajudam quando a gente precisa. Tem deles (policiais) que são padrinhos de batismo e crisma de índios'', defende a dona-de-casa Maria das Graças Ferreira de Sousa. Ela é casada com o conselheiro pitaguary José Maurício. Maria das Graças diz que, na aldeia, todo mundo é amigo e que nunca viu confusão nem problema envolvendo os policiais.

Quem também não vê problemas na convivência com os policiais é o cacique Daniel. ''Teve só um (policial) que trouxe um povo que vivia fora. Houve bebedeira, mas não é coisa permanente'', relata. Para o cacique, os policiais têm que sair po ocuparem área indígena.

O Capitão Humberto de Souza, da Polícia Militar, explica que funciona na área indígena um posto de remonta, que é um quartel onde nascem cavalos. Ele diz que no dia em que a Polícia receber ordem judicial para desocupar a área, irá cumprir. Até lá, os policiais tem respaldo legal para ocuparem o local. ''A própria presença dos policiais inibe a invasão de pessoas que não sejam índios'', diz o capitão, acrescentando que os próprios habitantes são beneficiados.

Segundo o capitão, não há registro de policiais envolvidos em tumultos no local. ''Se tem policiais bebendo, é na sua folga, no açude. Os próprios índios também fazem isso'', afirma capitão Humberto

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