Valor Econômico, Política, p. A5
24 de Mai de 2016
Presença constante em governos e denúncias
Cristiane Agostine
"Estamos vivendo um momento histórico". Em 29 de março, o senador Romero Jucá (RR) conduziu a reunião que marcou o rompimento do partido com o governo Dilma Rousseff e foi o porta-voz da decisão que agilizou o impeachment. Próximo a Michel Temer, o ex-líder do governo Dilma já era nome certo em uma eventual gestão da legenda, e pouco tempo depois assumiu o comando nacional da sigla. No mesmo mês, o senador havia se reunido com o ex-presidente da Transpetro Sergio Machado e sugerido que uma mudança no governo federal resultaria em um pacto para "estancar a sangria" causada pela Operação Lava Jato, segundo a "Folha de S. Paulo".
A cada novo governo, Jucá articula-se para participar da administração. No currículo, estão passagens pelas gestões de José Sarney, Fernando Collor de Mello, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. As denúncias e suspeitas de irregularidades acompanharam essa trajetória.
Conhecido como o "líder de todos os governos", Jucá trocou o PSDB pelo PMDB em 2003, logo depois do fim do segundo mandato de FHC. Aproximou-se de Lula e aderiu à gestão do petista e, posteriormente, à de Dilma Rousseff. Foi líder dos três.
Jucá foi presidente da Funai e governador de Roraima nomeado por José Sarney em 1988. Com a passagem pela Funai, tornou-se alvo de denúncias por supostamente ter realizado a venda ilegal, mediante suborno, de madeira de reserva indígena. Foi acusado também de corrupção, peculato e formação de quadrilha. Todas as denúncias forma negadas por Jucá. Em 1992, no governo Collor, foi diretor da Conab e secretário nacional de Habitação.
Senador por Roraima desde 1994, votou ainda no governo FHC pela quebra do monopólio da Petrobras na exploração do petróleo e pela criação da CPMF. No governo Lula, assumiu o Ministério da Previdência Social, mas ficou só quatro meses no cargo em 2005, desgastado por acusações de que teria oferecido ao Banco da Amazônia (Basa) fazendas inexistentes como garantia de empréstimo feito pelo banco à empresa Frangonorte em 1996 - da qual foi sócio entre 1994 e 1996.
O senador é alvo de inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) em razão de investigações das operações Lava-Jato e Zelotes. Na Lava Jato, empreiteiros da UTC e da Andrade Gutierrez relataram propina do setor elétrico. Na Zelotes, é investigado por suposto esquema de venda de medidas provisórias. Ontem, o senador voltou a afirmar que não tem telhado de vidro e que não cometeu irregularidades.
Valor Econômico, 24/05/2016, Política, p. A5
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