O Globo, O País, p. 10
12 de Mai de 2009
Presa quadrilha que desmatava na Amazônia
Fiscais fraudavam notas para transporte da carga em MT e MS
Paulo Yafusso
Especial para O Globo
Dezessete pessoas foram presas ontem pela polícia de Mato Grosso do Sul e pela Polícia Rodoviária Federal.
A Operação Cupim teve como objetivo desarticular uma quadrilha acusada de extrair madeira ilegalmente na Amazônia.
Segundo o procurador-geral de Justiça de Mato Grosso do Sul, Miguel Vieira, a madeira tirada da Floresta Amazônica era transportada para outros estados com a conivência de fiscais da Secretaria de Fazenda de Mato Grosso do Sul. A quadrilha era baseada em Sinop e Marcelândia, Norte de Mato Grosso.
Os fiscais usavam carimbos falsos das Secretarias de Fazenda de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Uma mesma nota fiscal era usada para "legalizar" a carga de madeira de vários caminhões. Para sonegar o ICMS, eles faziam constar nas notas quantidade menor do produto e madeira de menor valor.
A estimativa é que, por mês, apenas uma madeireira de Mato Grosso passava de 25 a 30 caminhões com madeira ilegal pelos postos fiscais de Mato Grosso do Sul, beneficiando-se deste esquema. Júlio Alberto Pereira Pinto, dono de duas empresas transportadoras em Sinop, é apontado como o chefe do bando. Além dele, foram presos a mulher, Karine Zanoto, e o irmão dele, Cláudio Aparecido Pinto. As empresas dele transportavam a carga das madeireiras que faziam parte do esquema criminoso.
Quatro madeireiras de Marcelândia e Sinop foram fechadas durante a ação, que resultou ainda na prisão de vários fiscais.
Em Sonora (MS), o supervisor de equipe do posto fiscal, Maurício de Souza Lima, foi preso no alojamento enquanto dormia. A operação foi realizada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco). Todos os mandados de prisão foram cumpridos em dez estados e Brasília. Dos 29 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça, 22 haviam sido cumpridos até o fim da tarde.
Foram apreendidos cinco caminhões carregados de madeira, vários carimbos falsos, 12 armas de fogo e 923 balas.
O Gaeco pediu a quebra do sigilo bancário dos fiscais e investiga agora como era feito o pagamento da propina. Na casa de um dos presos foi apreendido um bilhete assinado por ele, que a mulher deveria entregar aos chefes da quadrilha. No bilhete, ele diz que precisa de R$ 30 mil, pois estava sendo torturado e entregaria o esquema fraudulento à polícia.
O Globo, 12/05/2009, O País, p. 10
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