OESP, Nacional, p.A9
29 de Fev de 2004
Preocupação dos fazendeiros agora é com ação dos índios
Enquanto o MST parecia recuar, os movimentos indígenas intensificaram suas ações no início do ano. Em Mato Grosso do Sul, os caiovás-guaranis mostraram tanta organização que os proprietários rurais passaram a suspeitar que a própria Fundação Nacional do Índio (Funai) estaria orientando suas ações.
Dias atrás, quando o presidente da fundação, Mércio Pereira Gomes, foi à região para se reunir reservadamente com os caiovás-guaranis, os fazendeiros gravaram sua fala, para ver se as suspeitas se confirmavam.
Na fita, que circulou entre alguns proprietários, o que mais chamou a atenção foi o fato de Gomes evitar a expressão "invasão" - ao se referir ao avanço dos índios sobre as fazendas. Ele disse: "Estão falando que os índios invadiram essas terras, que estragaram a casa do fazendeiro, que estão vendendo o gado e fica parecendo que são uns bandoleiros. Eu não aceito isso, não uso a palavra invadir. Digo entrar em suas terras, ou entrar nas terras que acreditam ser deles."
No instante seguinte, porém, Gomes enfatizou a necessidade do processo legal. Disse que as ações não podem se basear apenas nas convicções dos índios, devendo ser precedidas de estudos antropológicos.
Ao saber da fita, o presidente da Funai reafirmou suas declarações: "Tenho dito sempre aos índios que eles têm direitos, mas não podem se precipitar."
OESP, 29/02/2004, p. A9
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.