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Prêmio para a educação de Angra

Prefeitura de Angra dos Reis - http://www.angra.rj.gov.br/
17 de nov de 2010

Projeto EJA Guarani, voltado para a educação de indígenas, ganha medalha do MEC
Angra dos Reis acaba de ganhar um importante papel de destaque no cenário das políticas públicas educacionais. A Prefeitura de Angra foi incluída entre os cinco premiados pelo Ministério da Educação (MEC) que vão receber a medalha Paulo Freire deste ano. A comenda é entregue a quem desenvolve projetos de destaque na área de educação. O prêmio é um reconhecimento pelo trabalho da Secretaria de Educação, Ciência e Tecnologia junto aos indígenas da aldeia do Bracuí, através do projeto de Educação de Jovens e Adultos, o EJA Guarani, que começou em 2003. A solenidade de entrega da medalha será no dia 29, às 19h, em Brasília, e contará com a presença da secretária de Educação, Ciência e Tecnologia, Luciane Rabha. O prefeito Tuca Jordão ainda não definiu sua agenda.

Luciane Rabha e a coordenadora do projeto, Luíza Helena Martins de Carvalho, falaram da satisfação pelo prêmio e o que ele significa para o município e para a educação de indígenas.

- Desde 2001, eu e Luíza trabalhamos a questão indígena na área da educação. Ganhar um prêmio como esse representa o sucesso de nosso trabalho, que já vem de muito tempo - disse a secretária, que, junto com a coordenadora do EJA, comentou sobre a intenção de expandir o ensino da língua guarani às escolas municipais próximas à aldeia.

- Embora não seja nossa responsabilidade, e sim do estado, nós abraçamos essa causa da educação para os indígenas - disse Luciane.

Luíza Helena ressaltou que, de posse da medalha Paulo Freire, o município de Angra ganha maior respaldo para captar recursos para projetos educacionais daqui para frente.

- A medalha Paulo Freire funciona como um selo de qualidade. Isso ajuda a conseguir recursos junto ao MEC - avaliou a coordenadora.

Os projetos premiados pelo MEC ganham destaque no cenário nacional, servindo de modelo em seminários, conferências e demais encontros de profissionais de educação por todo o país. Com isso, Angra será uma referência nos assuntos relacionados à educação de jovens e adultos, categoria na qual foi vencedora, e ao ensino de indígenas.

- Não é a medalha que nos faz feliz, mas a divulgação do trabalho de educação indígena - afirmou Luciane Rabha, que acredita que o segmento será fortalecido no estado do Rio com essa medalha.

Luíza Helena disse que um dos aspectos do projeto mais elogiados pelo MEC foi a questão da interinstitucionalidade, ou intersetorialidade, devido às parcerias com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Universidade Federal Fluminense (UFF) e Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), além das associações representantes das aldeias guaranis.

- A avaliadora disse que é muito difícil unir em um mesmo projeto governos federal, estadual e municipal do modo como conseguimos - lembrou Luíza. O MEC destacou ainda a interculturalidade do projeto, ou seja, o diálogo estabelecido com a cultura guarani.

NOTÍCIA
A notícia do prêmio chegou na terça-feira do dia 9. A secretária e a coordenadora relembram como todos a receberam: "Foi uma festa", disse Luíza, sobre a reação da equipe da Secretaria de Educação.

- Eu estava na UFF, negociando mais dois cursos presenciais para Angra, quando soube da notícia. Em seguida recebemos diversas felicitações de várias universidades - relembrou Luciane.

OBJETIVOS
A EJA Guarani visa a oferecer formação no que equivale ao ensino fundamental para integrantes das aldeias guaranis de Itaxim, Araponga, Mamanguá e Rio Pequeno (Paraty) e Sapukai (Angra). A primeira turma (2004-2007) teve 15 formados, a segunda (2007-2010) deverá formar 20 alunos no final do ano.

PROCESSO SELETIVO DO MEC
Os vencedores foram selecionados dentre concorrentes vindos de todo o Brasil, incluindo universidades, que recebem maiores recursos para seus projetos. Para chegar ao prêmio, a EJA Guarani passou por um processo longo e criterioso de avaliação. O projeto foi inscrito em fevereiro deste ano e primeiro teve que concorrer com outros projetos dentro do estado do Rio de Janeiro. Cada estado pôde enviar dois projetos, e o da EJA Guarani foi selecionado juntamente com outro de Quissamã.

Na fase seguinte, os projetos selecionados no Rio de Janeiro concorreram com os de outros estados da região Sudeste. Desta nova avaliação, restaram a EJA Guarani e um projeto da Prefeitura de Uberlândia.

Finalmente, os dez projetos selecionados em nível nacional tiveram que passar por uma visita técnica feita por avaliadores do MEC. Em Angra, a visita foi feita nos dias 21 e 22 de outubro, pela técnica Marly Braga, que fez elogios à EJA Guarani, dizendo, inclusive, que o projeto serve de referência para todo o Brasil.

HOMENAGENS E EXEMPLOS
A Secretaria de Educação está preparando um vídeo institucional para ser utilizado durante a solenidade de entrega do prêmio, em Brasília. Na apresentação os representantes de Angra deverão homenagear o professor Armando Barras, da UFF, que era o coordenador das parcerias do projeto. Barras, que participou da EJA Guarani desde o começo, faleceu no dia da visita técnica da avaliadora do MEC. Outro que deve ser lembrado é o professor indígena Algemiro da Silva. Ex-aluno da EJA Guarani, atualmente ele estuda licenciatura em Educação no Campo, na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), além de ser membro do Conselho Municipal de Educação de Angra dos Reis. Algemiro é um grande exemplo para outros indígenas que buscam acesso à educação de qualidade.

http://www.angra.rj.gov.br/asp/noticiasdaprefeitura.asp?vid_noticia=6069

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