VOLTAR

Preferimos estoque à falta de energia

O Globo, Economia, p. 24
Autor: LOBÃO, Edison
04 de jan de 2009

'Preferimos estoque à falta de energia'
Mesmo com redução no consumo, Edison Lobão diz que é preciso evitar riscos

Entrevista: Edison Lobão

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, defendeu em entrevista ao GLOBO que o Brasil não relaxe na elaboração e implementação,, de projetos no setor elétrico só porque a crise econômica reduzirá o consumo de energia. Ele garantiu o leilão da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, em 2009, que marcará ainda o início do processo de leilão ou construção de mais sete usinas. Sobre a exploração de petróleo no pré-sal, indica que a criação de uma estatal é certa.

Mônica Tavares
Brasília

O Globo: Mesmo com a perspectiva de crescimento menor do que o consumo de energia, a hidrelétrica de Belo Monte (avaliada em R$ 7 bilhões) será licitada em 2009?

Edison Lobão: O crescimento da oferta de energia elétrica previsto para 2009 é de 4% a 5%. Com a crise, pode se reduzir um pouco. Mas não podemos correr riscos. Preferimos estoque do que ter falta de energia. Temos várias termelétricas caras e poluentes, que têm sido despachadas em vários momentos e podem ser substituídas por hidrelétricas. Elas ficariam como reserva.

Apenas Belo Monte será licitada?

Lobão: Vamos partir para outras hidrelétricas. A de São Luís, no Rio Tapajós, com capacidade de 11 mil megawatts (MW), será licitada em 2011; Serra Quebrada, no Rio Tocantins, em 2010. Outras cinco pequenas, no Rio Parnaíba, começam o processo em 2009.

Quais são as perspectivas para o setor de energia para este ano?

Lobão: Teremos o fortalecimento da matriz energética, que é a mais limpa do mundo, com 81% de origem hídrica. Vamos ampliar a energia eólica e biomassa (bagaço de cana) em 14 mil MW. No caso da eólica, vamos fazer um leilão no primeiro semestre de 2009. As obras da usina nuclear de Angra 3 serão aceleradas e cuidaremos das quatro próximas usinas no Nordeste, e outras duas, no Sudeste. Sergipe, Alagoas, Bahia e Rio Grande do Norte se propõem a localizá-las.

O senhor defende a criação de uma nova estatal, especifica para gerenciar os interesses da União no pré-sal?

Lobão: Eu defendo a estatal porque ela passará a ser a dona dos blocos remanescentes do pré-sal, leiloados há cerca de sete anos e que não foram explorados. Eles se integrariam à estatal, e não há possibilidade de serem leiloados de novo. Mas a decisão do modelo será do presidente da República.

A ministra-chefe da Casa Civil, Dileta Rousseff, concorda com a criação da estatal?

Lobão: Tem ponto de vista manifestado nesse sentido.

E quais são as perspectivas do pré-sal para 2009?

Lobão: Vamos começar explorando o Campo de Tupi. E ter aclarado o novo modelo de exploração do petróleo no Brasil.

O Brasil vai participar da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep)?

Lobão: Precisa primeiro se tornar um exportador de petróleo. Isso vai acontecer a partir do pré-sal, se repetirem o convite, se confirmarem. Fomos convidados para a reunião em Londres (em dezembro), porque somos considerados consumidores e produtores.

Que outras medidas serão adotadas em 2009?

Lobão: No primeiro semestre vamos ter a definição do novo Código de Mineração. 0 atual tem 40 anos e está obsoleto. Vamos ampliar as pesquisas através da CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais). Temos hoje 5% do território nacional investigados.

Como está a negociação com os paraguaios sobre a usina hidrelétrica de Itaipu?

Lobão: Os paraguaios querem auditar a dívida da usina. Disse que a auditoria é feita a cada dois anos por empresa internacional contratada por Itaipu. A Eletrobrás presta contas ao TCU (Tribunal de Contas da União). Queriam que o Tribunal deles auditasse Itaipu. Nenhuma objeção do Brasil. 0 TCU não audita diretamente porque a lei não permite.

Houve outra reivindicação?

Lobão: Eles alegaram que a tarifa de Itaipu era de R$ 2,80 por MW, demonstramos que era de R$ 45.

O Globo, 04/01/2009, Economia, p. 24

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.