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Prefeito diz que não é vândalo

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: CARVÍLIO PIRES
20 de Set de 2005

O prefeito do Município de Pacaraima, Paulo César Quartieiro (PDT), reagiu com veemência. "Em nenhuma hipótese admito essa tentativa de me qualificarem como vândalo. Isso é uma ignomínia". O prefeito, o vice, Anísio Pedrosa Filho, e o vereador Genivaldo Macuxi (tuxaua do Contão, o mais votado daquele município), foram acusados pelo coordenador do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Marinaldo Justino Trajano, como possíveis organizadores do incêndio havido sábado no Centro de Formação e Cultura Raposa/Serra do Sol (Missão Surumu).
O prefeito entende que alguém tenta criar uma personagem (possivelmente ele) e à ela transferir qualquer conduta irregular havida na região. Irritado com a acusação retruca: "O incêndio não poderia ter sido feito por alguém do CIR para criar uma comoção no período da festa programada por essa entidade? O coordenador do CIR extrapolou sua condição de representante de uma entidade indígena. Aliás, sistematicamente me acusam de tudo, mas agora basta", disse.
Quartieiro afirmou que só as autoridades policiais, após criteriosa investigação, podem apontar quem praticou o crime. Depois, apenas a Justiça é capaz de decidir pela culpa de alguém. A acusação do coordenador do CIR baseou-se no fato de que dias atrás ele, o vice e o vereador citados teriam andado pela região.
"Somos autoridades do município. Devemos conhecer os seus problemas e buscar solucioná-los. Não aceito essa acusação leviana. Vou entrar na Justiça com uma queixa crime contra o coordenador do CIR e ele terá que dizer de onde tirou essa idéia", declarou.
No entendimento do prefeito de Pacaraima, a situação na Raposa/Serra do Sol é tensa. "Entendo que a região esteja conflagrada", supôs. Para ele, as famílias e seus filhos são expulsas de terras secularmente por elas ocupadas sem direito a reassentamento e indenização justa. Ele acrescentou que há truculência contra os "convidados" a saírem da área.
"A demarcação foi feita de forma ilegal, passaram por cima da lei brasileira e agora estão com 100 homens da Polícia Federal para dar segurança a uma festa. O Brasil está rico ao ponto de torrar dinheiro deslocando uma força caríssima para garantir a festa? Pior, esse evento se faz em cima da miséria de parcela das populações dos municípios de Normandia, Pacaraima e Uiramutã. Atinge todo o norte do Estado, uma região estratégica e rica. Geopoliticamente falando, essencial para Roraima e para o País. Tripudiam em cima de gente humilde", declarou o prefeito.
Paulo Quartieiro argumentou que a demarcação da Raposa/Serra do Sol está sendo questionada por entidades, pessoas e instituições junto ao Supremo Tribunal Federal. Conforme ele, nenhuma das ações foi julgada, não havendo, portanto, motivo para celebração. "Estão querendo transformar uma farsa em realidade, ou intimidar pessoas que clamam por seus direitos

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