OESP, Geral, p.A11
31 de Ago de 2004
Prédio na USP usa energia limpa
Célula a combustível no Cietec é a 1.ª desenvolvida no País a entrar em operação
Renato Cruz
Desde ontem, parte da energia que alimenta o prédio do Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec), localizado na Cidade Universitária, é gerada por uma célula a combustível. O equipamento - desenvolvido pela empresa Electrocell, uma das incubadas do Cietec - transforma energia química em elétrica. A célula é abastecida com hidrogênio que, combinado a átomos de oxigênio, produz eletricidade, calor e água.
"A célula a combustível é a tecnologia do futuro, que deve ocupar um lugar importante na matriz energética brasileira", afirmou o ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos, que participou do evento em que a célula a combustível foi acionada. Segundo o Cietec, trata-se da primeira desenvolvida no País a entrar em operação.
A célula a combustível gera energia elétrica sem poluição ou barulho. A Eletropaulo investiu R$ 1,75 milhão para a Electrocell desenvolver o equipamento. "Nossa obrigação é acompanhar as tendências tecnológicas", afirmou o presidente da AES Eletropaulo, Eduardo Bernini.
O sistema ainda não tem custos competitivos para o uso comercial. Na visão do vice-presidente técnico da Eletropaulo, Cyro Vicente Boccuzzi, isto deve acontecer num período de 2 a 5 anos. Se já houvesse produção em série, de 1,2 mil unidades por ano, o custo do megawatt/hora (MWh) ficaria em R$ 120, com um sistema de célula a combustível mais reformador (equipamento que produz o hidrogênio) movido a gás natural. Um gerador a diesel tem custo de R$ 245 por MWh. Com a sobra de 20% de capacidade existente hoje no País, o MWh gerado por hidrelétrica tem sido negociado de R$ 50 a R$ 55.
O ministro anunciou R$ 8 milhões, ainda este ano, para o Programa Brasileiro de Sistemas de Célula a Combustível, que reúne projetos de 17 instituições brasileiras. "Para 2005, o montante deve ser maior", disse Campos.
Resultado de 7 anos de pesquisa, a célula a combustível da Electrocell tem 30 quilowatts de capacidade, podendo chegar a 50, o que seria suficiente para acender 1.250 lâmpadas fluorescentes de 40 watts.
A empresa busca investidores para iniciar a produção em série, e trabalha para reduzir o tamanho do equipamento em 40%, antes de lançá-lo comercialmente. "O período de testes deve durar mais um ano", afirmou Gerhard Ett, diretor da Electrocell. A pesquisa gerou o pedido de registro de 13 patentes.
OESP, 31/08/2004, p. A11
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