Valor Econômico, Empresas, p. B1
05 de Dez de 2013
Preço de São Manoel inviabiliza a competição
Por Do Rio
No momento em que o governo busca flexibilizar as condições para tornar os leilões de concessões de infraestrutura mais atrativos, o presidente da GDF Suez, Maurício Bähr, criticou a tarifa máxima estipulada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para o leilão da hidrelétrica de São Manoel, de 700 megawatts (MW), no rio Teles Pires. Segundo o executivo, o preço-teto, de R$ 107 por megawatt-hora (MWh), não reflete o aumento do custo de construção no país.
"É um preço com uma visão muito otimista. Os custos de construção no Brasil subiram muito com todos esses eventos, todas essas melhorias e conquistas dos trabalhadores, mais do que justas. Infelizmente esses custos não são corretamente levados em consideração", disse.
Para o executivo, o governo poderia aumentar o preço-teto nos leilões, atraindo um número maior de interessados e deixando que a própria competição reduzisse os preços das obras. "Quando se tem preços-teto muito baixos, acaba afastando a atratividade dos projetos e, com isso, afastando a competitividade pelos agentes", afirmou Bähr.
São Manoel é a única hidrelétrica nova habilitada para o leilão "A-5" (para entrega de energia a partir de 2018), marcado para o dia 13 de dezembro.
O executivo afirmou também que espera que saia nas próximas semanas a decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre o pedido de "excludente de responsabilidade", feito pelo consórcio Energia Sustentável do Brasil (ESBR), relativo ao atraso de 239 dias no cronograma de operação da hidrelétrica de Jirau, de 3.750 megawatts (MW), no rio Madeira (RO).
A GDF Suez é a líder do ESBR, com 40% do negócios. Os outros sócios são a Mitsui (20%), Eletrosul (20%) e Chesf (20%).
Técnicos da Aneel estão estudando o assunto e vão elaborar um relatório para ser entregue à diretoria da agência. Até que a decisão final seja tomada, a autarquia suspendeu as penalidades previstas ao consórcio.
Na prática, o "excludente de responsabilidade" é uma espécie de "perdão" concedido pela Aneel. Se aceito, o consórcio não terá de comprar no mercado livre energia para honrar seu compromisso de fornecimento relativo ao prazo de 239 dias.
De acordo com o ESBR, o atraso foi provocado por paralisações e atos de vandalismo ocorridos no canteiro de obras da hidrelétrica em 2012, o que afetou a implantação da usina.
"As consequências foram enormes. A obra civil começou a atrasar, e os equipamentos chegavam e não tinham onde serem montados, porque a obra não estava preparada para recebê-los", disse Bähr "Em vez de montarmos duas máquinas [turbinas] por mês, começamos a montar 50 máquinas ao mesmo tempo. Isso começa a ter dificuldades, porque não existe ponte rolante suficiente para todas as atividades que precisam ser feitas. É uma situação completamente fora do planejado", completou.
O consórcio já obteve decisão semelhante favorável da Aneel, sobre os dias afetados pela greve da Receita Federal, em 2012, que provocou a retenção de equipamentos nos portos. (RP)
Valor Econômico, 05/12/2013, Empresas, p. B1
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