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PPS tenta alterar o tracado da obra em Pernambuco

GM, Gazeta do Brasil, p.B13
07 de Jun de 2005

PPS tenta alterar o traçado da obra em Pernambuco
Atual projeto levaria canal a terras inférteis e pouco habitadas; mudança custa R$ 1,8 bilhão. O PPS, em Pernambuco, vai solicitar na Justiça pedido de moratória para barrar o projeto de transposição do rio São Francisco. A ação será movida por uma das lideranças do partido no estado, o deputado Raul Jungmann (PE). De acordo com o parecer técnico apresentado pelo parlamentar, o traçado do eixo Norte - em direção ao Ceará - pouco beneficia Pernambuco, pois atravessaria uma faixa de terras inférteis e com escassa densidade populacional.
A obras de transposição estão orçadas em R$ 4,5 bilhões pelo Ministério da Integração Nacional, pasta que está sob administração do paulista de nascimento mas radicado no Ceará Ciro Gomes.
Em virtude da constatação, o PPS pernambucano sugere que a tomada para o Eixo Norte venha ser construída mais acima, na altura do Lago de Sobradinho, próxima da cidade de Petrolina (750 km do Recife), possibilitando assim a execução do antigo plano do Canal do Sertão que cortaria regiões economicamente produtivas, ampliando o perímetro de irrigação da fruticultura e beneficiando o pólo gesseiro - além de abastecimento para importantes cidades sertanejas que dependem de chuvas.
Quanto ao segundo ponto de desvio, o Eixo Leste, que conduzirá as águas do rio São Francisco até o Estado da Paraíba, o estudo apresentado pelo PPS assinala a necessidade de se implantar uma bifurcação de seu curso em direção à zona do Agreste. Esse novo ramal poderá irrigar uma vasta área do sertão do Moxotó e do Vale do Pajeú, estendendo-se até a cidade de Gravatá - localizada a 80km do Recife.
O novo traçado do canal Norte e o acréscimo do ramal do Agreste ampliariam o custo do projeto de transposição em cerca de R$ 1,8 bilhão, segundo parecer do Partido Popular Socialista. Os líderes do PPS pernambucano, incluindo o presidente nacional do partido, deputado Roberto Freire (PE), esclarecem que, da forma como está concebido, o projeto de transposição do rio São Francisco transforma Pernambuco numa mera passagem do fluxo de águas em direção aos Estados do Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, com baixo valor agregado para a economia estadual.
Redução de custos
O deputado federal Raul Jungmann fez uma explanação para mostrar inclusive que a capacidade de transporte das águas do São Francisco, estimada em 26 metros cúbicos por segundo através do eixo Norte, pode chegar até 99 metros cúbicos por segundo no roteiro do Canal do Sertão favorecida pela força de gravidade resultante dos desníveis geográficos no sentido de Pernambuco para o Ceará.
Dessa forma, sugere, a médio e longo prazos os custos com energia elétrica para bombeamentos das águas, seriam reduzidos e proporcionariam uma significativa economia de manutenção.
O parecer técnico apresentado pelo deputado federal e ex-ministro do Desenvolvimento Agrário no governo FHC, Raul Jungmann, coincide com os argumentos encaminhados pelo vice-governador de Pernambuco, Mendonça Filho, ao ministro Ciro Gomes. Entretanto, segundo o parlamentar, o governo estadual teria se limitado a entregar o documento, quando deveria ter levado o tema para uma grande discussão por meio da mídia e da comunidade científica. O PPS acha que o Ministério da Integração não foi contestado no momento oportuno e o estado começou a perder a corrida pelos interesses econômicos e de repercussão social que cercam o plano de desvios das águas do São Francisco.
Para os representantes do PPS, o Canal do Sertão sugerido em substituição ao eixo Norte, "viabiliza concretamente um salto qualitativo para a economia de regiões pernambucanas com comprovada vocação econômica, algumas delas em acelerado desenvolvimento como nos casos do perímetro irrigado de fruticultura e do pólo gesseiro do Araripe."
De acordo com ele, resolverá questões seculares de abastecimento de água para cidades do semi-árido sertanejo. Suas interconexões com as bacias do Moxotó e do Pajeú irão alavancar as potencialidades da economia do estado. Para o PPS, o ramal do Agreste a partir do eixo Leste configura uma questão de estratégia de segurança hídrica com forte influência para a região metropolitana do Recife.

GM, 07/06/2005, p. B13

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