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Povo Rikbaktsa celebra dia internacional protegendo a floresta

Ciruito Mato Grosso http://circuitomt.com.br//index.php
30 de jul de 2018

No próximo dia 9 de agosto é celebrado o Dia Internacional dos Povos Indígenas, estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) para marcar as lutas pelos direitos dos povos indígenas do mundo todo. Em Mato Grosso, o povo Rikbaktsa vai comemorar o dia celebrando a proteção da floresta através da cadeia produtiva da castanha-do-Brasil.

Proteger a floresta é um bom negócio. Este é o lema do projeto Pacto das Águas que apoia a organização associativa dos povos nas terras indígenas Japuíra e Escondido, ambas no noroeste do estado. Com o apoio do projeto, os coletores de castanha das duas comunidades aprimoram as práticas de coleta e armazenamento da amêndoa e aprendem a se relacionar de forma mais justa com os compradores. O projeto ainda apoia a construção de locais para armazenamento dos estoques na sede das duas associações: a Associação Indígena Abanatsa e a Associação Indígena Rikbaktsa Tsirik.

Leonardo Rikbaktsa, presidente da Tsirik, conta que o trabalho tem permitido a sustentação da comunidade na Terra Indígena Japuíra com a produção de castanha, já que a melhora das técnicas de coleta e a estrutura de armazenamento permitem que eles vendam a castanha com melhor preço no mercado.

"Nós Rikbaktsa realmente preservamos a mata, os rios. Somos um povo que vive da natureza mesmo, de tudo que a natureza oferece pra nós. A produção de castanhas consegue nos sustentar e o projeto oferece força pra gente dar continuidade nesse trabalho" aponta Leonardo, que completa: "O povo Rikbaktsa não tem destruição com madeira nem minérios, a gente é envolvido com a natureza mesmo."

Se a notícia de que o mercado da castanha realmente tem permitido a sustentação econômica para os povos indígenas é boa, também soa um alerta. Emerson de Oliveira Jesus, coordenador técnico do projeto, tem uma preocupação com relação a cadeia produtiva a longo prazo. Ele explica que a castanha-do-brasil originalmente era produzida quase que exclusivamente pelas comunidades tradicionais, povos indígenas e pequenos agricultores, que coletam a amêndoa na floresta. Mas com o aumento da demanda, isso tem mudado.

Emerson conta que já existem proprietários de grandes áreas de manejo florestal empregando seus funcionários para coletar a castanha nessas áreas, bem como um maior número de pessoas recuperando áreas degradadas com plantio de castanheiras.

"Se por um lado é bom ter esta espécie se reproduzindo em larga escala, por outro lado a gente se preocupa com o fato da castanha estar entrando na escala do agronegócio, correndo o risco de acontecer o mesmo que aconteceu com a borracha, que era um produto da Amazônia extraído por seringueiros e indígenas e hoje é praticamente toda originada em plantações comerciais no Sudeste", explica Emerson.

Para o projeto Pacto das Águas, o fortalecimento das comunidades indígenas e extrativistas é fundamental para que eles tenham condições de se manter num mercado e transformação. Dar visibilidade a estas comunidades é outra forma de garantir sua sustentabilidade, oferecendo ao mercado a opção de comprar um produto coletado de forma responsável e com garantia de proteção da floresta.

Mudanças climáticas

O Projeto Pacto das Águas é patrocinado pela Petrobras e tem como objetivo principal promover o uso sustentável da sociobiodiversidade, com povos indígenas e comunidades tradicionais das Terras Indígenas Japuíra e Escondido e da Resex Guariba Roosevelt. As ações são parte de uma estratégia de emissões evitadas para mitigação do aquecimento global e das mudanças climáticas pela conservação da floresta em pé no Noroeste de Mato Grosso.

O Dia Internacional dos Povos Indígenas foi criado em 1994. A ONU estima que há 370 milhões de indígenas no mundo, vivendo em 90 países. Eles representam menos de 5% da população mundial, mas respondem por 15% dos mais pobres e falam a esmagadora maioria dos 7.000 idiomas existentes do mundo. No Brasil, existem 225 etnias indígenas.

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