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Povo indígena tenta reconstruir área usada como Centro Cultural destruída por queimadas no AC

G1 - https://g1.globo.com
Autor: Aline Nascimento
31 de ago de 2019

Povo Huni Kuin tenta recuperar área de cinco hectares, na Rodovia Transacreana, em Rio Branco. Cacique está na Áustria em busca de recursos para reconstrução.

O povo indígena Huni Kuin tenta reconstruir plantações e hortaliças após o incêndio que destruiu cinco hectares de terra no último dia 22, na Rodovia Transacreana, em Rio Branco, capital do Acre.

O incêndio durou cerca de 3 horas. A terra é uma Área de Proteção Ambiental (APA), usada como centro cultural pelo povo indígena. No total, a área tem 30 hectares de extensão, sendo que sete deles fazem parte da terra indígena. Nove famílias moram no local.

A queimada foi controlada pela brigada dos agentes ambientais comunitários da APA do São Francisco. A comunidade, que passou por treinamento de combate a incêndio, usou abafadores e água para conter as chamas.

"Perdemos macaxeira, banana, mamão, açaí, pupunha, a horta, castanheira, entre outras árvores. Para o povo indígena, muita coisa que a gente acha que é mato tem conhecimento de usar como remédio para mazelas e doenças do cotidiano, como gripe, diarreia, infecção. Tudo é feito com remédio da mata", lamentou a produtora cultural e cofundadora do Centro Huwã Karu Yuxibu, Mirna Rosário.

Ajuda

O povo Huni Kuin está se mobilizando para arrecadar doações de alimentos, produtos de higiene pessoal e água potável. O cacique Mapu Huni Kui começou a mobilização após o incêndio. Ele está na Áustria em busca de recursos. O centro destruído foi criado em 2015, por Mirna e Mapu.

"Mapu realiza um trabalho de pajelança, é quase um pajé, com as medicinas do trabalho do povo Huni Kui para fora do Brasil. Então, temos um projeto de construção do centro, já existimos desde 2015, mas nunca conseguimos ter um espaço organizado para as famílias. A gente vem nessa luta há quatro anos para construir esses espaços", frisou.

A cofundadora acrescentou que o dinheiro arrecadado, inclusive com ações online, vai ajudar ainda a reflorestar a área queimada no incêndio. Atualmente, há 25 pessoas, em seis família, morando entre casas construídas no centro. Porém, ela diz que as casas são pequenas e não oferecem conforto.

"Tem um irmão do Mapu morando em uma barraca. Conseguimos comprar essas terras com os trabalhos que Mapu realiza no sul do país e na Europa. Antes do fogo, estávamos concentrando toda nossa energia na construção desses espaços. O posto de saúde que queremos construir não é para colocar o remédio da farmácia, mas é justamente para terem esse espaço e fazer o medicamento com as plantas medicinais", afirmou.

Investigações

O povo indígena acredita que o incêndio na área foi criminoso. Um boletim de ocorrência foi registrado pelos representantes e a polícia pediu 30 dias para investigar a situação.

"Disseram que só vão poder dar qualquer resultado em 30 dias. Mas, com certeza, foi criminoso porque não havia foco de queimada no local. Não tem como a natureza pegar fogo sozinha, com certeza alguém foi lá e colocou fogo nessa área de terra", falou Mirna.

Projeto de reflorestamento

A cofundadora explicou também que o povo Huni Kuin tem calendários de plantios, onde cada mês é plantada uma quantidade de árvores para reflorestar a área. Com a queimada, o projeto de reflorestamento foi adiado para outubro, quando as chuvas devem começar na Amazônia.

"Com essa situação, agora vamos ter que reflorestar esses cinco hectares que foram perdidos. Vamos começar esse processo em outubro, porque essa questão da água está sendo um grande empecilho, então, se começarmos a plantar agora, mesmo em setembro, ainda tem verão e quase não tem chuva. Então, não adianta plantar agora e as plantas morreram por causa do sol", ressaltou.

O projeto deve ser em parceira com a Unidade Federal do Acre (Ufac), segundo a produtora cultural. Os representantes buscam apoio do curso de engenharia florestal. Além do processo de reconstrução da área, Mirna disse que o povo sofre ainda com a falta de água na região.

"A situação lá é delicada, porque nosso verão tem sido bem intenso, muito seco, agora deu uma chovida e uma amenizada, mas, o maior problema é a questão da falta da água. Esse verão secou poços que antes não secavam. A situação mais delicada é a água e a fuligem", concluiu.

https://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2019/08/31/povo-indigena-tenta-rec…

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