A Crítica - acritica.com
Autor: Waldick Junior
25 de Mar de 2026
Acordo divulgado a investidores estabelece marco para desenvolvimento social, diz a empresa. Disputa com indígenas contrários ao projeto continua
Assinatura contou com a presença de representantes da Potássio do Brasil (Foto: Divulgação)
A Potássio do Brasil anunciou a formalização de um acordo de cooperação com o Conselho Indígena Mura (CIM), de Autazes. O município amazonense abriga jazidas que a companhia pretende explorar há mais de uma década, no entanto, problemas no licenciamento e a falta de consulta aos indígenas Mura, apontados pelo Ministério Público Federal (MPF), atrasaram o projeto.
Aos investidores, a mineradora afirmou que o acordo estabelece "um marco para ações conjuntas voltadas ao desenvolvimento territorial sustentável e à melhoria das condições de vida das comunidades indígenas no município de Autazes, no Amazonas".
A assinatura contou com a presença de representantes da Potássio do Brasil, incluindo o diretor do projeto, Raphael Bloise, e equipe técnica, além de lideranças do CIM, como o coordenador-geral Kleber Mura, o vice-coordenador Adnelson Mura e a secretária-geral Matilde Mura, além do assessor jurídico do conselho.
"Este acordo reforça nosso compromisso de construir, de forma responsável e transparente, uma relação de longo prazo com as comunidades do território", disse o diretor do projeto da Potássio do Brasil, Raphael Bloise, em comunicado.
Já o coordenador-geral do CIM, Kleber Mura, afirmou que o acordo "garante que nossa voz continue sendo ouvida e que os benefícios cheguem diretamente às nossas comunidades. É um passo decisivo para o Bem Viver de nossas 37 aldeias". A entidade é liderada por indígenas pró-mineração, próximos à empresa, e criticada por parentes contrários ao projeto.
Após o CIM levar ao governo do Amazonas e à mineradora uma ata de assembleia que dizia aprovar o projeto, em setembro de 2023, aldeias do povo Mura em Autazes e Careiro da Várzea divulgaram notas negando autorização e falando em manipulação de assinaturas.
As denúncias levaram a Justiça Federal no Amazonas a anular a consulta aos indígenas, mas a decisão foi posteriormente revertida. Em maio de 2025, por dois votos a um, a Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) reconheceu a "autorização" de parte dos indígenas e as licenças emitidas pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).
O tuxaua da aldeia Soares, Gabriel Mura, diz que os parentes preparam uma série de agendas junto ao governo federal em Brasília (DF), durante o Acampamento Terra Livre (ATL), em abril. O evento é a maior manifestação de povos indígenas ao ar livre do mundo e reúne diferentes etnias do Brasil.
"Queremos cobrar da Funai o avanço na demarcação do nosso território. Tinha uma previsão de que viessem no dia 9 de março para continuar, mas não apareceram. Mudou depois para o dia 17, mas também não vieram", comenta.
O território Soares é reinvidicado pelos Mura desde 2003. Ainda há uma ação judicial em andamento que já determinou à União a avaliação do pedido. Se a demarcação for concluída, o projeto de exploração de potássio terá de ser modificado.
Segundo a Potássio do Brasil, o acordo de cooperação estabelece as bases para o fortalecimento do Programa Bem Viver Mura, "uma iniciativa estruturada para apoiar ações em quatro pilares: desenvolvimento social, valorização cultural, geração de renda e fortalecimento institucional".
O documento estabelece mecanismos de monitoramento e diálogo estruturado, incluindo interações regulares entre as partes para acompanhar a implementação das ações e promover ajustes ao longo do tempo.
https://acritica.com/geral/potassio-do-brasil-formaliza-acordo-de-coope…
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.