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Possível conflito entre índios assusta Comissão da Câmara

Folha de Boa Vista-Boa Visdta-RR
Autor: CARVÍLIO PIRES
19 de Fev de 2004

Integrantes da Comissão Externa da Câmara Federal, que estiveram em Roraima para analisar a questão da reserva indígena Raposa/Serra do Sol, temem que o acirramento de ânimos entre índios contrários e os favoráveis à homologação em área contínua resulte num conflito étnico. O sentimento da maioria dos parlamentares é que a decisão quanto à homologação deve ser melhor avaliada, para evitar que o processo fique mais conturbado.
Ontem os deputados federais saíram de Boa Vista às 8h e até as 16 visitaram as comunidades indígenas Contão, Flechal, Maturuca e Raposa. Em todas elas, conversaram com as lideranças e ouviram a mesma coisa: posições radicais em defesa da homologação excluindo núcleos populacionais, áreas produtivas e estradas.
"Não aceitamos a demarcação em área contínua", disse um tuxaua na maloca do Contão. Em geral, os índios que defendem esta posição alegam querer trabalhar e produzir em parceria com não índios e que a Funai não permite.
Do outro lado, os defensores da reserva em área contínua. O tuxaua Evaldo, da Maloca Maturuca, disparou: "Não vamos abrir mão de um palmo de terra, sequer". Estes dizem que seus parentes são manipulados pelos brancos. Afirmaram disposição para o trabalho e não podem fazê-lo porque suas terras não estão homologadas.
A comissão esteve ainda nas cidades de Pacaraima e Uiramutã, e na fazenda Depósito, do rizicultor Paulo César Quartiero. Lá produtores agrícolas disseram que vão resistir à desocupação. "Nem eu nem meus filhos sairemos daqui", disse o produtor Afonso Faccio, depois de fazer um relato emocionado sobre as dificuldades que encontrou até chegar no nível em que está.

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