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A posse da terra é básica para a sobrevivência

GM, Nacional, p. A9
29 de Mar de 2004

A posse da terra é básica para a sobrevivência

O presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Mércio Pereira Gomes, disse que espera dar uma boa notícia às comunidades no próximo dia 19 de abril, Dia do Índio: a Terra Indígena Raposa-Serra do Sol estará entre as 17 que serão homologadas na data. "Tem muita chance de isto acontecer." A área, localizada em Roraima, tem mais de 1,6 milhão de hectares e concentra a maior população indígena entre as que ainda não tiveram a sua demarcação concluída, cerca de 15 mil pessoas. A terra foi demarcada em 1998 e, desde então, brigas na justiça e uma série de crimes impediram o andamento do processo.

A questão fundiária é imprescindível para resolver o problema da fome nas aldeias. Para se ter uma idéia, em Dourados (MS), 9 mil pessoas vivem em uma área de 4,5 mil hectares. Na Amazônia, a mesma população divide 2,3 milhões de hectares. "Onde os índios têm território preservado ninguém passa fome", afirmou Slowaki de Assis, coordenador geral de Desenvolvimento Comunitário da Funai.

As terras também são importantes para a sobrevivência das etnias. Os índios, que durante o início do século XX eram em torno de um milhão, quase foram extintos na década de 1950, chegaram a apenas 120 mil pessoas. Hoje, é com a posse da terra que eles começam a resgatar suas populações. Nessa briga, seus principais adversários fazendeiros, madeireiros, garimpeiros e unidades de conservação.

O presidente da Funai rebate acusações de que o governo Lula teria recuado nas questões fundiárias indígenas. Gomes disse que em 2003, já na gestão petista, foram homologadas 23 terras indígenas, áreas que haviam sido demarcadas no governo anterior. Outras 50 entraram em processo de tramitação. Este ano, foi homologada a terra indígena Munduruku, no Pará, 2,3 milhões de hectares e onde vivem sete mil pessoas. Outras 17 serão anunciadas em abril.

GM, 29/03/2004, Nacional, p. A9

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