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Portas fechadas em Belo Monte

CB, Economia, p. 14
28 de Abr de 2010

Portas fechadas em Belo Monte
Empreiteiras vencedoras do leilão para construir a hidrelétrica garantem que podem tocar a obra sem a participação das concorrentes

Karla Mendes

No que depender das construtoras que integram o consórcio Norte Energia, vencedor do leilão para a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), não haverá espaço para as gigantes Camargo Corrêa e Odebrecht, que desistiram de participar do processo de licitação, nem para a Andrade Gutierrez, líder do grupo perdedor da concorrência.

O presidente do grupo JMalucelli, Joel Malucelli, e um alto executivo da Mendes Júnior afirmaram ao Correio que as empreiteiras campeãs têm plenas condições de erguer o empreendimento, estimado em US$ 19 bilhões, sem o auxílio das maiores companhias do setor. "Não vejo a possibilidade (de acionar as outras empresas). Não faz sentido e não há necessidade de fazer isso", ressaltou Malucelli.

Segundo as normas da competição, elas têm direito de executar as obras que colocarão de pé a terceira maior hidrelétrica do mundo. "A regra é essa. Nós temos a preferência", enfatizou o executivo da Mendes Júnior. Como o empreendimento é muito grande, pode até ser feita alguma parceria no futuro, mas o comando e o "filé" vão ficar a cargo das empresas vencedoras, garantiu João Francisco Bittencourt, diretor da construtora JMalucelli e da JMalucelli Energia. "Nós ganhamos o leilão, depositamos as garantias e temos de ter uma participação grande na construção. Não vamos ficar com uma pequena parte e deixar a maior parte para outras empresas", enfatizou.

Apesar das movimentações da Andrade Gutierrez, da Camargo Corrêa e da Odebrecht para angariar vultosos contratos no canteiro de obras de Belo Monte, o pleito dificilmente será aprovado pelo consórcio vencedor. Diante desse cenário, só mesmo uma forte pressão política poderia reverter o quadro em prol das três companhias. Interessados em participar do negócio como investidores não faltam. Uma fonte que acompanha as conversas de perto disse ao Correio que Petros e Funcef - fundos de pensão dos funcionários da Petrobras e da Caixa, respectivamente - bem como CSN, Gerdau e Brasken têm procurado o grupo vencedor.

"Tem empresa até que já enviou carta de intenções", revelou.

Não há abertura, contudo, para a entrada de novas construtoras no bloco de investidores, pois a composição do consórcio já está acima do previsto no edital. A investida agora, é por autoprodutores de energia, como as duas siderúrgicas e o conglomerado petroquímico.

Pressa O consórcio vencedor tem pressa para equacionar os trâmites legais na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e antecipar o cronograma da obra, previsto para ter início no segundo semestre. A entrega da documentação, por exemplo, precisa ser feita até 10 de maio, mas vai ocorrer uma semana antes. "Já contratamos uma empresa para continuar o processo de licenciamento.

A ideia é fazer toda a antecipação que for possível e assinar o contrato para começarmos as obras em novembro", destacou Bittencourt.

Segundo o ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmerman, a antecipação do cronograma é possível e traria vantagens financeiras, como o início da venda da energia no mercado livre antes do prazo fixado em contrato. Ele falou sobre o assédio das companhias que perderam o leilão ao governo. "A construtora tem que fazer contato é com o grupo vencedor.

Não é um empreendimento estatal. É privado", disse.

A JMalucelli quer iniciar a obra logo para usar o equipamento da construção da usina de Mauá (PR), com capacidade de 360 megawatts, que será concluída neste ano. O executivo da Mendes Júnior destacou a experiência da empresa nos maiores empreendimentos hidrelétricos do país.

"Somos um dos precursores na construção de hidrelétricas. Nós fizemos Itaipu e as grandes usinas do país. Estamos presentes em cerca de 80% do parque instalado", ressaltou Malucelli.

CB, 28/04/2010, Economia, p. 14

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