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Por um futuro verde

Valor Econômico, Opinião, p. A15
Autor: YBAÑEZ, Ignacio
20 de set de 2019

Por um futuro verde

Ignacio Ybañez

Hoje, muitos concordam que a transição para uma economia de baixo carbono não é apenas necessária para garantir o futuro do nosso planeta, mas também está abrindo novas perspectivas para a indústria e empresas no mundo todo. Reduzir emissões de carbono dos processos produtivos, investir e promover novas tecnologias para atenuar o impacto na mudança climática, desenvolver negócios de alto valor em energia renovável são objetivos cada dia mais desejados e alcançados por empresas em muitos países que querem se tornar competitivas no mercado e contribuir para o desenvolvimento sustentável de suas economias.

A União Europeia acredita que a única via para um futuro sustentável exige uma transição mundial para uma economia de baixo carbono. Não por acaso a UE possui o quadro legislativo mais abrangente e ambicioso sobre ação climática e está em transição para uma economia de baixas emissões, visando a neutralidade climática até 2050. E já entre 1990 e 2017, suas emissões de gases de efeito estufa foram reduzidas em 23% enquanto a economia cresceu 58%.

Consciente de que suas emissões representam apenas cerca de 9% do total global, a União Europeia continua à disposição dos países parceiros para ações de cooperação financeira e técnica. A UE continua a ser o maior doador de financiamento climático do mundo

Em novembro de 2018, a Comissão Europeia apresentou sua visão estratégica de longo prazo para uma economia próspera, moderna, competitiva e neutra em termos de clima até 2050. A estratégia mostra o papel que a Europa pode ter, com seu parceiros, no caminho da neutralidade climática, investindo em soluções tecnológicas realistas, capacitando os cidadãos e alinhando ações em áreas-chave como política industrial, finanças ou pesquisa - enquanto garante justiça social para uma transição justa.

Nessa visão estratégica da UE para um futuro neutro em termos climáticos, suas políticas devem estar alinhadas com o objetivo do Acordo de Paris de manter o aumento da temperatura global abaixo de 2oC e prosseguir com os esforços para mantê-lo em 1,5oC. A UE já superou sua meta de redução de emissões de gases de efeito estufa em 2020 e completou seu quadro legislativo vinculativo único que nos permitirá ir além de nossas metas climáticas para 2030.

Consciente de que nossas emissões representam apenas cerca de 9% do total global, a UE continua à disposição dos países parceiros para a implementação de ações em matéria de cooperação financeira e técnica em busca de objetivos comuns a todos nós. É importante destacar que a UE continua a ser o principal doador mundial de assistência ao desenvolvimento e o maior doador de financiamento climático do mundo.

Com mais de 40% do financiamento público mundial para o clima, as contribuições da UE e dos seus Estados-membros mais do que duplicaram desde 2013, ultrapassando €20 bilhões por ano (R$ 100 bilhões). É também relevante salientar que essas políticas contam com o apoio dos cidadãos europeus. O índice Eurobarômetro mostra que 93% dos europeus acreditam que as mudanças climáticas são um "problema sério".

Para chamar a atenção da sociedade sobre a necessidade de se promover ações que contribuam para a redução das emissões de gases de efeito estufa, a UE promove duas vezes por ano, em nível mundial, a semana da diplomacia climática. Este ano, a segunda semana ocorrerá de 23 de Setembro a 6 de Outubro.

Mas, o que é mais importante, a UE acredita que a transição pode ocorrer paralelamente ao desenvolvimento econômico. A presidente eleita da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen disse na semana passada: "Quero que o Acordo Verde Europeu se torne a identidade distintiva da Europa. No centro está o nosso compromisso de nos tornarmos o primeiro continente neutro em assuntos climáticos do mundo. É também um imperativo econômico a longo prazo: aqueles quem agirem primeiro e com mais rapidez serão os que mais aproveitarão as oportunidades da transição ecológica. Quero que a Europa seja a pioneira. Quero que a Europa compartilhe seu conhecimento, tecnologias e melhores práticas".

É por isso que a UE desenvolveu uma iniciativa pioneira de aproximar empresas brasileiras e europeias que possuem soluções inovadoras de tecnologias para redução das mudanças climáticas. O programa Low Carbon Business Action in Brazil, financiado pelo Instrumento da Parceria da União Europeia, promoveu esta semana, nova rodada de investimentos, em 17 e 18 de setembro, através do "Business-To-Finance" da Ação Empresarial de Baixo Carbono no Brasil/Low Carbon Business Action in Brazil, em São Paulo.

O projeto Low Carbon Business Action in Brazil é uma iniciativa financiada pela UE que visa envolver pequenas e médias empresas do Brasil e da UE. Ao patrocinar o projeto, a UE pretende intensificar o intercâmbio de informações entre as empresas para que elas troquem experiências inovadoras que as levem à transição para o uso de tecnologias menos poluentes que resultariam em uma menor emissão por parte do Brasil de gases que intensificam o efeito estufa.

O projeto conta com os parceiros importantes no Brasil. O Comitê Gestor que apoia desde o início essa maneira inovadora de trabalhar no país é composto por instituições como o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável), CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), CNI (Confederação Nacional da Indústria), Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Ministérios da Economia e do Meio Ambiente. A UE mostrase realmente ainda mais ambiciosa e atualmente está trabalhando em uma fase ampliada do Programa, que cobrirá não apenas o Brasil, mas também o México, Chile, Argentina, Colômbia e até mesmo o Canadá.

O evento constituiu uma oportunidade única de negócios promovendo o diálogo direto entre instituições financeiras sobre projetos concretos que têm o potencial de tornar os patamares mais ecológicos e sustentáveis. Até agora cerca de 90 parcerias entre empresas da UE e do Brasil têm recebido assistência técnica, podendo desta maneira aproveitar as oportunidades e compartilhar as melhores práticas.

Nós, europeus, aguardamos o dia em que demonstraremos juntos - instituições públicas, privadas e financeiras - que, graças a esse tipo de ação, contribuímos para os objetivos com os quais todos nos comprometemos quando o Brasil e a UE assinaram o Acordo de Paris.

No Brasil, assim como no resto do mundo, a UE segue trabalhando com todos parceiros institucionais, do setor privado e da sociedade civil, para tornar realidade a transição mundial para uma economia verde e de baixo carbono.

Ignacio Ybañez é embaixador da União Europeia no Brasil

Valor Econômico, 20/09/20198, Opinião, p. A15

https://valor.globo.com/opiniao/coluna/por-um-futuro-verde.ghtml

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