VOLTAR

Por medo de represálias, cientistas brasileiros pedem anonimato em artigo sobre queimadas e desmatamento

G1 - https://g1.globo.com/natureza/noticia/
18 de nov de 2019

Por medo de represálias, cientistas brasileiros pedem anonimato em artigo sobre queimadas e desmatamento
Documento assinado por pesquisadores brasileiros e ingleses aponta aumento de queimadas e refuta alegações do governo Jair Bolsonaro. Nos agradecimentos, cientistas mencionam colaboradores que recusaram citação.

Por G1
18/11/2019 17h20 Atualizado há um mês

Por medo de represália, pesquisadores brasileiros se recusaram a assinar um artigo científico que relaciona o aumento na taxa de desmatamento e as queimadas na Amazônia brasileira por medo de represálias.

O artigo, enviado em formato de carta à revista científica Global Change Biology e publicado nesta sexta-feira (15), explica a dinâmica de desmatamento no bioma e refuta "alegações do governo brasileiro sobre as queimadas na Amazônia em agosto".

Assinado por dois cientistas brasileiros e dois britânicos, o documento cita, nos agradecimentos, o pedido de anonimato dos colaboradores do Brasil.

"Alguns colaboradores recusaram a autoria para manter o anonimato. Lamentamos que isso seja necessário e agradecemos a eles por sua importante contribuição." - Artigo científico enviado à Global Change Biology

O texto foi feito antes da divulgação da taxa oficial de desmatamento, anunciada nesta segunda-feira (18). Por isso, os autores fizeram uma estimativa da área desmatada entre agosto de 2018 e julho de 2019 para mostrar a correlação entre o desmatamento e as queimadas. Para tanto eles usaram informações do sistema de alertas de desmatamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Deter. Neste ano a taxa oficial de desmatamento foi 42% maior do que apontava o sistema de alertas.

No texto enviado à revista científica os pesquisadores adiantam que a taxa de desmatamento do Prodes costuma superar os alertas de desmate do Deter.

"Nós observamos que a detecção anual do desmatamento pelo Prodes é, em média, 1,54 maior que as taxas de desmatamento medidas em tempo quase-real a partir do sistema Deter", afirmam os pesquisadores.

Em relação à queda no índice de queimadas registrado em setembro, os cientistas afirmam que há risco de que algumas áreas já desmatadas sejam queimadas apenas nos próximos meses. O fato pode ter relação com o decreto presidencial que proíbe uso do fogo para fins agrícolas na Amazônia Legal por dois meses.

"Apesar das queimadas em larga escala vistas em agosto de 2019, o número de incêndios em setembro caiu em 35%. Ainda não está claro até que ponto isso é um resultado das chuvas ou do recente decreto federal", disseram os cientistas.

"Dado o papel essencial do fogo para eliminar a vegetação derrubada, é muito provável que as áreas recentemente desmatadas serão queimadas em um futuro próximo."

https://g1.globo.com/natureza/noticia/2019/11/18/cientistas-brasileiros…

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.