Senac e Educação Ambiental v. 10 n.2, mai.-ago., de 2001, p. 19-21
31 de Ago de 2001
População da Amazônia quer desenvolvimento sustentável
Pesquisa de opinião realizada no segundo semestre de 2000 com a população amazonense e com lideranças locais mostra que os moradores desejam, sim, o desenvolvimento, mas com a conservação de seu maior bem: a floresta.
Márcia Soares
Desenvolvimento com preservação da floresta: esse é o futuro que a população amazonense espera para a região, de acordo com uma pesquisa feita com 2.049 pessoas pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF, sigla em inglês) e pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser) sobre desenvolvimento e meio ambiente. Para os amazônidas - pessoas que vivem na Amazônia - o desenvolvimento econômico deve estar atrelado à conservação do meio ambiente. Eles estão falando, sem mesmo saber, em desenvolvimento sustentável, embora apenas 21% já tenham ouvido esse termo.
Pela primeira vez foi dada a palavra à população que vive dentro da floresta mais rica em biodiversidade do planeta, e que atrai a atenção de muitos países desenvolvidos.
Eles mostraram na pesquisa que prezam os recursos naturais e condenam o desmatamento, principal problema da Amazônia, juntamente com as queimadas. Os madeireiros aparecem como os vilões do atual modelo de desenvolvimento: 57% dos entrevistados acham que não é necessário cortar madeira para desenvolver a região, e apenas 5% defendem a indústria madeireira.
Segundo a pesquisa, realizada em duas etapas, uma quantitativa e outra qualitativa, os habitantes da região e as lideranças locais estão conscientes de que é preciso controlar o uso dos recursos naturais e acham que o Brasil pode, sim, "dar-se ao luxo de se preocupar com problemas ecológicos" (69%). Na opinião dos amazônidas, além da destruição da floresta (24%), também são fatores que prejudicam a Amazônia a falta de apoio do governo federal (20%), a caça e a pesca descontroladas (20%) e a posição dos países ricos, como Estados Unidos, Alemanha e França (13%).
O desenvolvimento do turismo ecológico é visto como uma boa alternativa para a região, mas o que não faltam ali são vocações econômicas. Além do ecoturismo, a Amazônia tem forte potencial para a pesquisa científica, a silvicultura, bancos genéticos para melhoria de culturas, além de produção de alimentos, medicamentos, fibras, óleos, resinas etc. Todas são atividades sustentáveis, que não esgotam a base de recursos que as mantém.
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Senac e Educação Ambiental v. 10 n.2, mai.-ago., de 2001, p. 19-21
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