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Ponte queimada em RR

CB, Brasil, p.11
23 de Set de 2005

Ponte queimada em RR
Estrada de acesso à reserva indígena está isolada. PF mobiliza 65 agentes para a região a fim de recuperar estrada e investigar atentado
A festa pela demarcação da área indígena Raposa Serra do Sol, que começou ontem foi estragada por um novo incidente que aumentou a tensão na região. A ponte que dá acesso à área foi parcialmente queimada por volta das 3h da madrugada de ontem. Localizada a 290 quilômetros de Boa Vista, a ponte garante o acesso por terra à aldeia Maturuca, onde acontece a festa. Três mil e quinhentas pessoas estão isoladas, incluindo autoridades do governo federal, como os presidentes da Fundação Nacional do Índio (Funai), Mércio Pereira Fomes, e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart. Eles representam o governo Lula na festa, organizada pelo Conselho Indigenista de Roraima (CIR). O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, cancelou sua ida à área. Além de Gomes e Hackbart, está na região a procuradora da República Deborah Duprat.
O secretário estadual dos Direitos Indígenas, Adriano Nascimento, acredita que os responsáveis pelo incêndio ocorrido no sábado, quando o Centro de Formação e Cultura Raposa Serra do Sul, sede da antiga missão Surumu, estão também envolvidos no atentado. Acho que foram as mesmas pessoas que atearam fogo contra a missão. Mas o governo do estado não aceita isso”, disse. Apesar da tensão, o presidente do Incra afirma que a festa não será interrompida. As comemorações se estenderão até o dia 30 de setembro.
O Batalhão de Engenharia do Exército foi acionado para reconstruir a ponte. Acredito que os ônibus que trouxeram as pessoas para a região poderão sair amanhã”, disse o presidente da Funai. A Superintendência da Polícia Federal em Roraima anunciou que 65 policiais deverão ajudar na recuperação da ponte que dá acesso à parte norte da reserva.
Resistência
O superintendente da PF, Ivan Herrero, disse que o órgão, em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal, desativou em maio a barreira de fiscalização que mantinham na área próxima à ponte, logo após o desfecho pacífico do seqüestro de quatro policiais federais. Entre 22 e 30 de abril, eles foram mantidos reféns por moradores da aldeia Flechal. O seqüestro foi liderado pela Sociedade de Defesa dos Indígenas Unidos do Norte de Roraima (Sodiur), como protesto pela homologação da área.
Raposa Serra do Sol foi homologada em área contínua em abril deste ano pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A área tem 1,74 milhão de hectares, onde vivem 15 mil índios de várias etnias. O decreto prevê que os não-indígenas têm prazo de 12 meses para desocupar a reserva. Os funcionários da Funai e do Incra estão trabalhando no reordenamento agrário. Muitas das famílias não-indígenas já assinaram os laudos e nas pequenas vilas diversas pessoas se apresentaram espontaneamente para receber a indenização”, explicou o presidente da Funai. Ele afirma, entretanto, que nenhum dos sete grandes produtores de arroz deixou a região até o momento.
CB, 23/09/2005, p. 11

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