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Polvo é descrito em iniciativa apoiada pela Fundação

Fundação Grupo Boticário - http://www.fundacaogrupoboticario.org.br
09 de jun de 2014

A importância da conservação do ecossistema marinho e de toda a sua biodiversidade é ressaltada em 8 de junho, Dia Mundial dos Oceanos. Em celebração a essa data, a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza relembra algumas de suas contribuições para a conservação da biodiversidade costeira e oceânica. Por exemplo, a instituição apoiou 193 iniciativas de conservação no ecossistema marinho que, entre outros resultados, geraram a descrição de três novas espécies para a ciência, como o polvo Octopus insularis.

Esse molusco foi identificado pela bióloga e oceanógrafa Tatiana Silva Leite, em 2002, enquanto ela estudava para seu mestrado a fauna de polvos do litoral do Rio Grande do Norte e de ilhas oceânicas brasileiras. "Naquela época, o animal era classificado como Octopus vulgaris (comum no litoral sudeste do Brasil e em outras partes do mundo), mas ao longo dos estudos percebemos que se tratava de uma espécie diferente", explica Leite.

Em 2003, ela iniciou junto com seu doutorado um projeto apoiado pela Fundação Grupo Boticário, para estudar melhor essa espécie e gerar subsídios para comprovar que ela realmente era nova para a ciência. O reconhecimento oficial do animal aconteceu em 2008.

O projeto apoiado pela Fundação Grupo Boticário foi realizado no Arquipélago de Fernando de Noronha (PE) e estudou as características gerais da espécie, como população, área de ocorrência e importância ecológica do polvo mais abundante na região. Além disso, foi analisada como a atividade pesqueira impacta esse molusco e o ecossistema marinho no arquipélago. Os resultados da pesquisa subsidiaram a criação de um plano de manejo - o primeiro para polvos do Brasil dentro de uma área protegida - visando à conservação do Octopus insularis, bem como sua exploração racional e sustentável.

Embora esse molusco seja abundante no arquipélago, sua pesca é permitida apenas na Área de Proteção Ambiental (APA) de Fernando de Noronha - parcela que correspondente a 30% do conjunto de ilhas. Os animais capturados são utilizados tanto na alimentação familiar quanto para comercialização. Porém, para garantir a manutenção desse estoque, o plano de manejo da espécie regulamentou a atividade pesqueira visando à redução de seus impactos ao meio ambiente. Entre as principais orientações do documento estão: a permissão apenas da pesca artesanal e para pescadores nativos ou residentes há mais de dez anos; a captura somente de indivíduos da espécie com no mínimo 80 mm de comprimento do manto (da ponta do capuz até os olhos); a proteção das áreas com menos de dois metros de profundidade - utilizadas como berçários; e a proibição de pesca por meio de armadilhas na água.

Para garantir que as recomendações do plano de manejo estão sendo realizadas, anualmente é realizado monitoramento da espécie em todo o arquipélago. "Por meio dos dados extraídos nos monitoramentos, constatamos que o manejo da espécie está obtendo sucesso. A própria comunidade pesqueira nos auxilia na conservação do polvo, com a prática da pesca responsável e a manutenção do cadastro atualizado dos pescadores", conta a pesquisadora.

O Octopus insularis

O polvo Octopus insularis é endêmico do Brasil, ocorrendo do Pará até o sul da Bahia e em todas as ilhas oceânicas brasileiras. Na maior parte do tempo, habita tocas e corais em águas rasas, em uma profundidade que varia entre zero e 25 metros. Alimenta-se geralmente de crustáceos presentes nessas tocas e corais.

Seu tamanho médio é de nove centímetros de comprimento de manto, porém já foram avistados indivíduos maiores, de até 15 cm de manto, que chegam a ter quase um metro de comprimento total e 2,5 kg de peso.

Em relação à reprodução desse molusco, observou-se durante a pesquisa que casais adultos de polvos ocupavam tocas próximas por mais de cinco dias. "Essa observação sustenta a hipótese de que os indivíduos dessa espécie, quando em período reprodutivo, aproximam-se e permanecem juntos por mais tempo além da cópula", aspecto novo para os polvos e que ainda necessita ser melhor estudado, afirma Leite.

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