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Poluição etc.

O Globo, Economia. p. 23
Autor: VASCONCELOS, Nelson
23 de Jun de 2009

Poluição etc.
A preocupação com o impacto das novas tecnologias sobre o meio ambiente é legítima e está cada vez mais ramificada. O pessoal está pesquisando esse assunto nos mínimos detalhes. A Economist.com, por exemplo, mostrou semana passada que o spam faz muito mal não só à paciência do internauta, mas também à natureza, já que emite quantidades gigantescas de gás carbônico.

Nelson Vasconcelos

O cálculo é aparentemente simples: de acordo com uma pesquisa patrocinada pela McAffe, fabricante de softwares especializados em segurança da informação, no ano passado foram enviadas pela internet cerca de 62 trilhões de mensagens não solicitadas. Essa montanha de spams consumiu 33 terawatts-hora de eletricidade. Seria o equivalente, diz o site, à energia consumida por 1,5 milhão de lares americanos ou por 3,1 milhões de carros ao longo de um ano.
Parece chutometria , mas tem a ver. Há muito se diz que, quando um sujeito envia um simples email, ele está produzindo cerca de quatro gramas de gás carbônico, gastos entre a redação da mensagem, sua transmissão e a recepção, lá "no outro lado da linha". E o ciclo vai se repetindo, eternidade adentro.
Já o spam, que se caracteriza por ser uma única mensagem enviada para um número gigantesco de usuários, gera apenas 0,3 gramas de CO2. Aparentemente, portanto, seria bem mais inofensivo que os emails comuns. O problema é que, pelas estatísticas, mais de 80% das mensagens circulantes pela rede mundial são spams. Haja reflorestamento...
Um estudo da mesma McAfee dá um exemplo interessante do peso do spam sobre a Natureza. Em novembro passado, um provedor americano desconectou a McColo, empresa conhecida por distribuir spam. Na mesma noite, foi registrada queda de 70% no número de spams circulantes. Segundo os analistas, a ação foi equivalente à retirada de 2,2 milhões de carros de circulação. Naturalmente, foi um ganho apenas temporário para o meio ambiente, já que os spammers não se emendaram e rapidamente voltaram à ativa, através de outros provedores.
Mesmo inocentemente, estamos poluindo. Em janeiro último, esta coluna mostrou o peso do Google sobre a emissão de dióxido de carbono.
Segundo o físico Alex Wissner-Gross, geramos sete gramas de gás carbônico a cada busca efetuada no Google. Não parece muito. Mas, se considerarmos que, por dia, são feitas 200 milhões de buscas, temos 140 toneladas de CO2, a cada dia, somente com as consultas ao principal buscador da internet.
O bom é quando cada uma vai fazendo a sua parte. Ainda na linha de defesa do meio ambiente, há tempos criaram o Blackle (www.blackle.com), um site de busca que é basicamente um Google personalizado, com o fundo da tela em preto para poupar energia do monitor. Taí a dica.

O Globo, 23/06/2009, Economia. p. 23

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