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Poluição em SP é duas vezes pior do que o aceitável

OESP, Metrópole, p. A20
08 de Mai de 2014

Poluição em SP é duas vezes pior do que o aceitável
Dado da OMS sai no mesmo dia em que Cetesb aponta melhoras em índices

Jamil Chade - Correspondente de O Estado de S. Paulo

No mesmo dia em que São Paulo divulgou que alguns indicadores de qualidade do ar vêm apresentando melhoras (veja quadro), a Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou que os índices de poluição na capital são duas vezes superiores ao teto aceitável. Os dados fazem parte de um levantamento que analisa a situação de 1,6 mil cidades.
O levantamento se concentra na avaliação do material particulado fino (MP 2,5), com o maior potencial de afetar diretamente os pulmões. Para a entidade, uma cidade apenas pode considerar que tem ar limpo se apresenta uma média de no máximo 10 microgramas de MP 2,5 por metro cúbico. Qualquer valor maior significa risco para a saúde. A OMS apontou para São Paulo a taxa de 19 microgramas em 2012, quase duas vezes o limite.
A Cetesb divulgou também nesta quarta-feira relatório referente a 2013 no qual afirma que houve uma leve queda nas médias anuais do MP 2,5, em relação ao ano anterior. O relatório não traz um valor único para a capital, mas as médias por ponto de coleta de amostras.
A Cidade Universitária foi a que teve os menores índices de São Paulo, com média anual de 15 microgramas de MP 2,5 por metro cúbico. Já Pinheiros registrou uma taxa de 18; Congonhas, de 20; Parelheiros, de 22; e a Marginal do Tietê, na altura da Ponte dos Remédios, de 27.
Plano de redução. Carlos Komatsu, gerente do departamento de Qualidade Ambiental da Cetesb, reconheceu que a cidade está ainda bem longe de atingir os padrões recomendados pela OMS. Um plano de redução da poluição está previsto para ser elaborado até o meio do ano, com adoção em três anos. Inicialmente serão colocadas três metas intermediárias, ainda inferiores ao recomendado pela OMS. Só depois de atingi-las vai tentar-se baixar ao nível ideal.
De acordo com a Cetesb, as concentrações de dióxido de enxofre e monóxido de carbono registrados na Região Metropolitana ficaram entre os mais baixos da década.
Outras capitais. No levantamento da OMS, a qualidade do ar do Rio de Janeiro aparece em pior situação que a de São Paulo. Dados de 2010 revelaram uma taxa de mais de três vezes os patamares estabelecidos pela entidade, com 36 microgramas. Informações de 2011 apontam que Belo Horizonte registrou uma taxa de 28, contra 17 de Curitiba e 16 de Vitória. No caso de Salvador, a taxa é de 9 microgramas de PM 2,5 por metro cúbico - é a única metrópoles brasileiras abaixo do teto da OMS.
A OMS também avaliou a situação no interior do Estado de São Paulo. Em Sorocaba, a taxa é de 17 microgramas de PM 2,5 por metro cúbico; em Americana, de 18; em Araçatuba, de 21; e em Jundiaí e Ribeirão Preto, de 16.
No restante da América Latina, a situação não é nada confortável. Em Lima, por exemplo, a taxa é de 38 microgramas, uma das cidades com a pior qualidade do ar entre as capitais regionais.
Mortes. Segundo a OMS, mais de 7 milhões de pessoas morrem anualmente por causa da contaminação do ar. Apenas 12% da população mundial vive em cidades consideradas com um ar limpo, e metade dos habitantes do planeta está em locais onde as taxas de poluição são mais de duas vezes a taxa considerada como razoável pela OMS.
As estatísticas mostras que uma a cada oito mortes no mundo está relacionada com a exposição a ambientes contaminados. / COLABOROU GIOVANA GIRARDI

OESP, 08/05/2014, Metrópole, p. A20

http://www.estadao.com.br/noticias/vida,poluicao-do-ar-em-sp-e-duas-vez…

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