Valor Econômico, Internacional, p. A9
09 de Set de 2016
Poluição do ar custa US$ 5,1 trilhões à economia global
Shawn Donnan
As mortes prematuras decorrentes da poluição do ar estão custando US$ 5,1 trilhões anuais à economia mundial. O valor corresponde a quase o dobro da produção econômica do Reino Unido. Mais de metade desse ônus recai sobre a China e outras economias em desenvolvimento da Ásia, de acordo com um estudo.
As estimativas divulgadas ontem pelo Banco Mundial atribuem, pela primeira vez, um "custo de bemestar" à poluição do ar em ambientes fechados e ao ar livre. Além disso, destacam o quanto o preço da poluição disparou nos últimos 25 anos, com a rápida industrialização das economias em desenvolvimento.
Os dados ilustram também a escala do desafio ambiental com que esses países se defrontam, num momento em que tentam enfrentar a poluição atmosférica crônica.
Estima-se que 5,5 milhões de vidas foram perdidas para doenças associadas à poluição do ar em 2013 - o último ano para o qual se dispõem de dados mundiais. Mais de 90% das mortes prematuras ocorreram em países em desenvolvimento.
A exposição à poluição do ar aumenta o risco das pessoas de contrair doenças como câncer de pulmão, AVC, moléstias cardíacas e bronquite. Essas doenças, e as mortes provocadas por elas, envolvem também um crescente custo econômico, de acordo com o estudo, realizado pelo Banco Mundial e o Institute for Health Metrics and Evaluation, de Seattle.
Em 1990, o prejuízo relacionado com bem-estar devido à poluição atmosférica em nível mundial somou US$ 2,6 trilhões (em dólares de 2011 ajustados pela paridade de poder de compra), com o Leste Asiático contribuiu com cerca de um quarto desse total. De lá para cá, a ascensão da China contribuiu para um forte aumento da poluição do ar no Leste Asiático, fazendo com que o custo mais que quintuplicasse, nessa região, para US$ 2,3 trilhões, em 2013.
Isso tem um custo considerável. No leste e no sul da Ásia, o custo das mortes relacionadas à poluição atmosférica foi equivalente a mais de 7% da produção econômica regional em 2013.
Urvashi Narain, que dirige a equipe do Banco Mundial que elaborou o relatório, disse que, embora haja alguma evidência de êxito em nível mundial na redução da poluição do ar no interior das casas, o problema da poluição ao ar livre está crescendo.
"A China declarou guerra à poluição. Também vimos ações da Índia. Mas, ao mesmo tempo, vemos também menções sobre Londres e Paris como cidades onde essa preocupação ainda existe", disse ela. "É um problema muito generalizado".
Países de baixa e média renda responderam por 59% dos prejuízos com o bem-estar mundial. O leste e o sul da Ásia contribuíram com mais de metade dos US$ 5,1 trilhões em 2013.
Valor Econômico, 09/09/2016, Internacional, p. A9
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