Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: CARVÍLIO PIRES
01 de Mar de 2005
Para o público em geral, o ponto culminante da visita do presidente da Câmara Federal, Severino Cavalcanti (PP), foi na Assembléia Legislativa do Estado (ALE). Em sessão especial, representantes políticos e lideranças indígenas falaram dos principais problemas do Estado e pediram ajuda para o encaminhamento de soluções. O presidente da Câmara atribuiu responsabilidade maior ao senador Romero Jucá (PMDB) "por ser da cozinha do Palácio do Planalto" visando à demarcação que atenda ao interesse de todos da Reserva Indígena Raposa/Serra do Sol.
Antes que o convidado chegasse, o presidente da ALE, Mecias de Jesus (PL), disse que a decisão de Severino Cavalcanti de vir a Roraima após ser eleito presidente da Câmara Federal demonstrava o compromisso que ele tinha com o país. "Acredito que poderemos contar com a ajuda desse brasileiro - humilde como nós - para resolver as questões fundiária e indígena".
O atraso na programação impediu que todos se manifestassem como estava programado. Falaram apenas o presidente da ALE, o indígena Anísio Pedrosa, vice-prefeito de Pacaraima, o indígena Jonas Marcolino, representando a organização indígena Sodiur, e a prefeita do Município de Uiramutã, Florany Mota (PT). Também representando a bancada estadual Gute Brasil, representando os deputados federais, Chico Rodrigues e em nome dos senadores falou Mozarildo Cavalcanti. Além destes, o governador Ottomar Pinto e, por último, Severino Cavalcanti.
As variações dos pronunciamentos foram pequenas. Cada um disse o que quis formando no contexto geral o discurso conhecido em todo o Estado: a necessidade da definição fundiária como único caminho capaz de dar a Roraima uma perspectiva segura de desenvolvimento.
Representante da Sodiur, Jonas Marcolino, declarou não ser desejo dos índios se isolarem do processo de integração que ocorre há mais de um século. Segundo ele, na região da Raposa/Serra do Sol não existe comunidade que não tenha experimentado a miscigenação. "Não existe branco que não tenha um pouco de sangue índio".
A prefeita Florany Mota (PT) falou da luta comum aos municípios de Uiramutã, Pacaraima e Normandia. Destacou que o Brasil já perdeu uma parte de seu território, delineada pelo Rio Rupununi. Disse que em nome da causa indígena, pioneiros que guardaram as fronteiras são tratados como invasores, sem seus direitos serem respeitados. "Estão arrancando as pessoas dos lugares onde nasceram".
Conforme o deputado Gute Brasil, o que Estado de Roraima espera é que a Constituição seja cumprida. Lembrou que o próprio Severino Cavalcanti disse ser contra a enxurrada de Medidas Provisórias que emperram a fluidez no trabalho da Câmara Federal. "Todo o mal contra a Amazônia foi feito através de Medida Provisória ou de Portaria", comentou.
Conforme o parlamentar, relatórios detalhados sobre a situação da Raposa/Serra do Sol foram elaborados por Comissões Externas da Câmara e do Senado. Nos dois casos, os relatores, deputado Lindberg Farias e o senador Delcidio Amaral, integrantes da bancada petista. Independente das cores partidárias eles teriam produzido retratos fiéis da realidade.
O deputado federal Chico Rodrigues (PFL), falando sobre conversa particular que teve com o presidente da Câmara Federal, disse que esperava por uma demonstração clara de Severino Cavalcanti com os parlamentares de Roraima. Informou que foi o próprio Severino Cavalcanti quem lhe assegurou que ao chegar em Brasília iria ao presidente da República reivindicar aquilo que ouviu aqui.
O senador Mozarildo Cavalcanti disse que pela primeira vez um presidente da Câmara dos Deputados veio a Roraima ouvir o que pensa o povo do Estado. Conforme ele, enquanto os parlamentares federais ficaram "roucos" de pedir a solução para a Raposa/Serra do Sol, estava à marcha a ampliação de mais duas reservas: Anaro e Trombetas/Mapuera.
O governador Ottomar Pinto (PTB) destacou as potencialidades de Roraima e as vantagens comparativas diante de outros estados. Por exemplo, no transporte de grãos daqui para o Japão, há uma redução de sete dias de viagem, se comparado aos demais portos brasileiros. Realçou que o mesmo grupo responsável pela mudança no perfil econômico de Goiás, Tocantins e Balsas (MA) está interessado em desenvolver a cultura de grãos, mas encontra obstáculo na questão fundiária
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