Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
22 de Mar de 2005
A indefinição fundiária tem impedido Roraima de progredir, disse ontem o deputado Gute Brasil, presidente da Comissão de Terras e Assuntos Indígenas da Assembléia Legislativa. Para ele, é hora de a classe política deixar de lado a fase de construções e se dedicar a criação de uma base produtiva que passa pela regularização das terras.
O deputado entende que além da indefinição fundiária, o Governo Federal é contraditório no que fala. Disse que, na última sexta-feira, o presidente do Incra, Rolf Hackbart, declarou à imprensa que, no órgão que dirige, não existe nenhum projeto de transferência de terras ao Estado.
"A situação da Raposa/Serra do Sol só está sendo discutida por causa de uma ação movida junto ao Supremo pelo senador Mozarildo. Existe esse quadro de indefinição, quando o assunto é fundamental ao desenvolvimento de Roraima. A classe política deve se conscientizar que, construções podem ter significado, mas, de fato não levaram Roraima ao desenvolvimento. O que levará o Estado ao progresso será uma base produtiva que, fundamentalmente, passa pela regularização fundiária", declarou Gute Brasil.
Para ele, a sociedade deve cobrar de seus representantes um compromisso com este Estado porque até agora a classe política como um todo tem trabalhado por impulsos. "Quando surgem as demandas, a classe política se mobiliza para resolvê-las. Efetivamente não vejo uma cobrança ao Governo Federal para que resolva esta situação", disse.
O presidente da Comissão de Terras e Assuntos Indígenas da ALE acredita que setores do Governo Federal querem fazer da Amazônia um laboratório. Como exemplo, citou o desejo de Rolf Hackbart de querer destinar terras ao Estado através de termos de concessão de uso que se estendem até cinqüenta anos.
"Sei de uma proposta do Governo de Roraima reivindicando, em primeiro momento, a transferência de quatro milhões de hectares de terras para realizar o seu projeto de desenvolvimento. Mas estes segmentos do Governo Federal, que não têm compromisso com a Amazônia, continuam teimando em querer fazer dessa região um laboratório de experimentações de ideologias frustradas", declarou Gute Brasil. (C.P)
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