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Politicamente correto desde a origem

Estado de S. Paulo-São Paulo-SP
Autor: IGOR GIANNASI
12 de jul de 2002

Mundaréu vende produtos feitos por grupos marginalizados de todo o País

A Vila Madalena abriga um novo conceito de comércio. Funcionando desde meados de junho, a loja da Associação Mundaréu segue a linha do comércio justo, idéia que busca aumentar o acesso ao mercado para a produção de pequenos grupos marginalizados.

O conceito de comércio justo, originalmente é baseado na compra de produtos fabricados por quem respeita as regras da responsabilidade social, como a não-agressão ao meio ambiente e a não-utilização de trabalho escravo. A intenção da Mundaréu é adaptar esses ideais, criando possibilidade de venda para esses produtores sem condição de chegar ao mercado. A Fundação Telefônica está investindo, em um ano, R$ 236 mil no projeto.

A loja da Mundaréu está localizada na Rua Mourato Coelho, 988 (telefone 3032-4649), e serve de vitrine para o trabalho desenvolvido por grupos como o Centro Educacional Comunitário Tabor, que realiza oficinas de marchetaria e marcenaria com crianças e jovens de São Mateus, na zona leste. A Associação Terra Indígena do Xingu, na qual povos indígenas do Parque do Xingu produzem artesanato, e a Associação de Artesãos de Ouricuri, projeto apoiado pela ONG Caaatinga que trabalha com jovens no semi-árido pernambucano.

Para a socióloga Lizete Prata, que coordena o Mundaréu, é necessário reconhecer as variáveis sociais na escolha de um produto. Metade do valor do objeto vendido fica com o produtor e ele não tem nenhum custo pela intermediação da venda. No próximo mês será feita uma oficina com os integrantes dos grupos para complementar a formação. "Há uma preocupação de acrescentar informação e conteúdo que estimulem a criatividade e a autonomia deles", afirma Lizete.

O responsável pelo programa de capacitação de recursos e geração de renda da Caatinga, Hermes Gonçalves Monteiro, está confiante com a parceria. "A Mundaréu não é simplesmente uma loja, é um portal muito maior na formação de um mercado de comércio justo." A venda do artesanato produzido pelos jovens entre 16 e 25 anos de Ouricuri (PE), região que sofre com a seca durante a maior parte do ano, garante uma renda regular para suas famílias.

Monteiro explica que a ONG também mantém com esses jovens um projeto para a administração do dinheiro recebido pelo trabalho. "Eles estão investindo na melhoria da casa, comprando roupas e animais."

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