Agência Fapesp-São Paulo-SP
02 de Jun de 2004
Estabelecer uma cumplicidade entre governos federal e estadual e toda a sociedade amazônica. O que parece óbvio, na visão de um grupo de pesquisadores, é uma das chaves para que o desmatamento da Amazônia possa ser controlado.
As formas de se conseguir essas parcerias, além de um diagnóstico bastante amplo da região, são as grandes atrações do livro Desmatamento na Amazônia: indo além da emergência crônica, lançado nesta terça-feira (1/6), em Belém (PA). O evento ocorreu na sede do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), instituição que editou a obra.
Assinado por sete pesquisadores de instituições brasileiras e estrangeiras, o livro mostra diversas análises cronológicas. Em uma delas, fica claro a relação direta que existe entre a curva do produto interno bruto e o desmatamento. Segundo os pesquisadores, se a primeira curva caiu nos últimos anos, a segunda está longe de sofrer um revés. E isso se deve, principalmente, ao aumento das exportações.
No contexto de uma estratégia para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, explicam os autores, é importante diferenciar o desmatamento legal do ilegal. Além disso, em termos de vilões para a floresta, a conversão da floresta em pastagem tem sido a principal causa do desmatamento. As agriculturas familiar e mecanizada também tiveram contribuições significativas para a derrubada da floresta.
O caos fundiário que se estabeleceu na região é outro obstáculo para que o desenvolvimento sustentável efetivo possar ser feito na Amazônia. Com os sempre presentes conflitos sociais na região é impossível que se possa organizar o uso do solo. O recém-lançado Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia, feito pelo Governo Federal, foi considerado um passo importante.
Apesar de defenderem ações de longo prazo, os autores não desconsideram a necessidade de intervenções imediatas em regiões onde "as fronteiras do desmatamento estão em fase de expansão explosiva". Isso ocorre, por exemplo, em Castelo de Sonhos, Novo Progresso e Moraes de Almeida, todas cidades situadas ao longo do eixo de desenvolvimento Cuiabá-Santarém.
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.