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Política agrícola do país já considera aquecimento

O Globo, Ciência, p. 34
07 de Nov de 2007

Política agrícola do país já considera aquecimento
Governo leva em conta as mudanças climáticas para determinar as melhores áreas de plantio

Adauri Antunes Barbosa

O aquecimento global já norteia a política agrícola do governo. O chamado zoneamento de risco climático determina onde plantar, em que períodos e se haverá financiamento. Como pelo menos 90% das perdas na agricultura são motivadas por chuvas, secas e geadas, o zoneamento tem como base volume de precipitações e clima, indicando cenários que levam em conta a elevação da temperatura .

Se não há 80% de boas condições para plantar, o cultivo não é recomendado.

Estamos trabalhando direto com dados relativos à chuva e temperatura - explicou o pesquisador Eduardo Delgado Assad, da Embrapa, ontem, em São Paulo, durante a III Conferência Regional sobre Mudanças Globais: América do Sul.

Segundo o cientista, estão sendo observados dados como o aumento de temperatura e a ocorrência de chuvas mais extremas.
- Isso influencia no zoneamento. Então ele é refeito todos os anos, exatamente para, aos poucos, ir incorporando as variações das mudanças climáticas.

Por enquanto, lembrou Assad, esses estudos ainda não estão sendo aplicados em outras áreas:
- Isso está sendo estudado. Há pouca aplicação porque estamos na parte do estudo de vulnerabilidade, ou seja, onde estão os problemas - explicou o pesquisador. - A partir de agora, vamos partir para a questão da mitigação, como resolver parte dos problemas. Uma outra questão é da adaptabilidade. É preciso fazer melhoramento genético para resolver os problemas.

Soja, café e feijão podem ter perdas incalculáveis
No encontro, discutiu-se também o impacto do aquecimento em três importantes culturas agrícolas do país: soja, café e feijão. Estima-se que haja perdas incalculáveis a médio prazo, conforme resultado de estudo coordenado por Assad.

- Soja, café e feijão são as plantas que, em um primeiro momento, percebemos como as mais vulneráveis - resumiu o pesquisador durante o painel que debateu "Impactos, vulnerabilidade e adaptação".

Segundo ele, a soja, mantidas as características genéticas atuais, terá uma possível redução de área de baixo risco para plantio.
- Ela vai caminhar mais para o Centro-Oeste, deixando o Sul - garantiu.

O feijão, conforme o trabalho coordenado por Assad, ficará mais suscetível a doenças. Mas no cultivo do café são encontrados as mais graves conseqüências das mudanças climáticas.
- É o ponto mais grave, o abortamento de flor do café.
Para isso temos de ter o melhoramento genético ou o manejo para reduzir os efeitos - explicou o pesquisador.

O Globo, 07/11/2007, Ciência, p. 34

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