JB, Pais, p.A2
30 de Jan de 2004
Polícia tem lista de suspeitos de matar fiscais do trabalho
Execução teria sido praticada por pistoleiros pagos por ''mandantes influentes''
Hugo Marques
BRASÍLIA - A Polícia Federal já tem uma lista de suspeitos do assassinato de três fiscais e um motorista do Ministério do Trabalho em Unaí (MG), na quarta-feira. A lista foi preparada com o auxílio do Ministério Público federal.
O crime pode ter sido cometido por pistoleiros profissionais, pagos por ''mandantes influentes'', segundo um dos especialistas que acompanham as investigações. Entre os suspeitos estão fazendeiros acusados de ameaçar os fiscais durante inspeções feitas no passado e alguns ''gatos'' - agenciadores de mão-de-obra irregular -, que há dois anos invadiram e destruíram a Subdelegacia Regional do Trabalho em Unaí.
Segundo um dos investigadores, a lista completa de suspeitos vai incluir empresários e pessoas envolvidas com política na região. Nem a PF e nem o Ministério Público divulgaram ontem os nomes dos suspeitos, para não atrapalhar as investigações.
A Polícia Federal fez hoje várias incursões em fazendas da região, mas não prendeu ninguém. Para a PF, não há dúvidas de que o crime foi uma ''execução''. Até o suposto assalto que teria sido anunciado serviria para ''desarmar'' as vítimas.
Em reunião no Fórum de Unaí, foram traçados alguns planos de trabalho para localizar os assassinos e eventuais mandantes. Participaram da discussão os delegados e agentes da PF, membros do Ministério Público e representantes das polícias Civil e Militar.
Uma das missões prioritárias da força-tarefa é encontrar a pick-up utilizada no crime. O motorista Aílton Pereira de Oliveira, o único a ser levado com vida para o hospital, falou a um policial rodoviário que os autores dos disparos estavam em uma pick-up.
O motorista, que agonizava no momento em que era transferido, não se lembrava do modelo e marca da pick-up. Um policial rodoviário perguntou a ele se não era um modelo Fiat Strada. O motorista, já desfalecendo, apenas concordou.
Ontem, o Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília, iniciou a perícia na caminhonete Ranger, na qual foram encontrados os corpos. Peritos da PF realizaram todos os exames no local do crime e irão preparar os laudos nos próximos dias.
O assassinato dos fiscais e do motorista ganhou repercussão também no Congresso. O presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), criou uma comissão externa de oito parlamentares para acompanhar as investigações. O presidente da comissão é o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), que dirige a Comissão de Constituição e Justiça da Casa.
Hoje, a PF vai enviar outros 20 agentes para reforçar a força-tarefa. Além deles, há cerca de 100 policiais militares envolvidos nas buscas. Policiais federais passaram a tarde de ontem percorrendo estradas vicinais entre fazendas da cidade, todas elas sem asfaltamento, para tentar determinar o local exato em que os fiscais receberam os tiros.
JB, 30/01/2004, p, A2
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.