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Policia Federal cria lista de suspeitos de crime ambiental

JB, Pais, p.A5
08 de Mar de 2004

Polícia Federal cria lista de suspeitos de crime ambiental
Estrangeiros catalogados serão vigiados enquanto estiverem no país

Hugo Marques
BRASÍLIA - Preocupada com a impunidade das quadrilhas internacionais que agem em território nacional, apontada no relatório da Divisão de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente, a Polícia Federal está criando esta semana a Lista Vermelha do Tráfico Internacional de Animais. Trata-se de um cadastro com nomes, fotografias e informações sobre condenados, acusados e suspeitos de envolvimento com tráfico de espécies silvestres e biopirataria.
Com base no cadastro eletrônico - disponível em aeroportos, portos e fronteiras -, a PF vai monitorar os estrangeiros suspeitos que entrarem no país, que serão vigiados durante sua estada. Eles terão que informar o roteiro da viagem, local de hospedagem e data de partida.
De início, a PF tinha começado a montar o Banco de Dados da Delinqüência Ambiental, com informações de bandidos condenados e presos. Mas a lista era incompleta, já que como os traficantes vêm de outros países, eles não são presos e acabam retornando para cometer o mesmo crime. A Lista Vermelha é inspirada na Divisão Vermelha da Interpol - cadastro mundial que cataloga todos os criminosos procurados no mundo - e incluirá uma parcela do banco de dados do órgão internacional.
O diretor da Divisão de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente, delegado Jorge Pontes, diz que a Lista Vermelha não vai representar custos extras para o governo federal. O novo cadastro será parte do Sistema Nacional de Procurados e Impedidos (Sinpi).
Estrangeiros ligados ao tráfico internacional de animais irão encabeçar a Lista Vermelha. Um deles, o alemão Marc Baumgarten, já foi preso três vezes no Brasil, exportando caranguejeiras. No ano passado, foi pego com um carregamento em Manaus e ganhou o apelido de Homem Aranha.
O português João Miguel Folgosa Herculano também entra no novo cadastro da PF. No ano passado, ele foi preso em Fortaleza com dezenas de ovos de aves dentro de meias amarradas à cintura. Outro bandido ligado ao tráfico de animais é o austríaco Johann Zillinger, detido duas vezes com répteis e ovos.
- A Lista Vermelha vai crescer em progressão geométrica - acredita o delegado Pontes.
Só o tráfico de animais movimenta por ano R$ 150 milhoes no Brasil, diz o delegado Pontes. Não há estatísticas sobre os estragos ambientais e os lucros da biopirataria. Em todo o país, a PF tem mais de 100 investigações em curso sobre tráfico de animais e biopirataria.
Inquieto com a ação das quadrilhas internacionais no país, Pontes defende uma legislação mais rigorosa para punir os traficantes de animais e a biopirataria. De acordo com o delegado, muitos bandidos são detidos, mas assinam um termo circunstanciado na delegacia e são soltos por falta de pena mais dura. Os investigadores se sentem impotentes, já que monitoraram quadrilhas, prendem os acusados em flagrante e os vêem se livrando com facilidade da prisão.
- O crime é considerado de pouco potencial ofensivo - lamenta Pontes.
A PF vem investindo na criação de uma nova estrutura para coibir esse tipo de crime. Das 27 delegacias criadas no fim do ano passado para combater crimes contra o meio ambiente nos Estados, 20 já têm equipes com delegado.

JB, 08/03/2004, p. A5

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