OESP, Nacional, p.A12
12 de Mai de 2005
Pochmann refuta governo e diz que gasto social caiu
Ana Paula Scinocca
Levantamento realizado pelo economista da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Márcio Pochmann, ex-secretário do Trabalho da gestão petista em São Paulo, vai na contramão do relatório Orçamento Social do Governo Federal - 2001-2004, divulgado na semana passada pelo Ministério da Fazenda. Segundo o estudo apresentado pelo professor da Unicamp ontem, o governo Lula reduziu em 2004 os gastos sociais em R$ 9, 9 bilhões em relação a 2001, penúltimo ano da gestão de Fernando Henrique Cardoso. Já no documento da equipe do ministro Antonio Palocci, nos últimos dois anos o orçamento social da União teve um aumento de 31% em relação ao biênio 2001/2002 e de 18% em 2004 na comparação com 2003.
"O estudo do governo não está compatível com a realidade", afirma Pochmann, ressaltando que a metodologia adotada pelo ministério da Fazenda "é equivocada", já não leva em consideração o crescimento da população nem deflaciona os números referentes aos investimentos na área.
"A Fazenda trabalha com números absolutos sem retirar a inflação do período e desconsidera a dinâmica demográfica, o que é fundamental em estudos sobre gastos sociais", observa o professor. O estudo do ministério, diz Pochmann, compara o orçamento com o Produto Interno Bruto (PIB). "É muito estranho deixar de considerar a população em um levantamento desses."
Além da diminuição do gasto social, o quadro é, segundo ele, agravado pela queda da renda do trabalhador. Pelos cálculos do economista, "o contexto macroeconômico anti-social" foi responsável, entre 2001 e 2004, pela redução da participação do rendimento do trabalho na renda nacional.
Pochmann estima que R$ 19,3 bilhões deixaram de fazer parte da massa de rendimentos do trabalho, em função da queda do rendimento médio dos ocupados e do maior nível de desemprego.
"Se somarmos a queda do rendimento do trabalho (R$ 19,3 bilhões) com a redução do orçamento social (R$ 9,9 bilhões), chegamos a R$ 29,2 bilhões que deixaram de ser aplicados na diminuição da desigualdade social no País de 2001 para 2004", observa. "Essa combinação perversa é desfavorável ao enfrentamento da desigualdade social no País". Apesar da crítica à metodologia adotada pela União, o economista diz não acreditar em maquiagem dos números. "Não acredito (em maquiagem dos dados), mas senti falta da utilização de um deflator e de se levar em conta a população".
OESP, 12/05/2005, p. A12
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